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Volodymyr Zelensky discursou esta terça-feira num encontro organizado pela fundação Ronald Reagan, à margem da cimeira da NATO, em Washington. Entre os apelos e agradecimentos de ajuda habituais, o Presidente ucraniano deixou críticas à NATO, mas principalmente aos Estados Unidos, pedindo que assumam a liderança.

“A estratégia para a paz sempre foi simples: ser forte o suficiente, para que não pensem que a guerra pode compensar”. Foi esta citação de Ronald Reagan, de fevereiro de 1988, que guiou a intervenção do Chefe de Estado ucraniano em frente a uma audiência norte-americana. Zelensky defendeu que as palavras de Reagan têm de continuar a marcar as políticas norte-americanas:.“A paz que Reagan queria preservar ainda existe hoje?”, questionou

Respondendo à própria pergunta, o Presidente deixa a primeira crítica, repetindo a sua afirmação que durante a Cimeira têm de ser tomadas “decisões importantes”. Os Estados Unidos não podem esperar por novembro e pelas eleições presidenciais para tomar decisões, alerta.

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“Quando é que soluções parciais se tornaram melhores que a vitória? Quando é que lutar pela paz e colocar Putin no seu lugar se tornou algo que não dá lucro?”. Regressando a Reagan, Zelensky pede aos Estados Unidos que “saiam da sombra” e “deixem de fugir às suas capacidades” e assumam uma liderança como a do antigo Presidente. “Para que os nossos inimigos, como Putin, temam as nossas ações”, explicou.

“Quanto tempo pode Putin durar? A resposta está aqui em Washington! Na vossa liderança, nas vossas escolhas, de agir agora. A América pode escrever a história correta. Como sabem, [os EUA] são demasiado grandes, para feitos pequenos. A América pode ser grande todos os dias!”, rematou.

“Putin não vai parar na Ucrânia, ele é ambicioso”

Depois da breve intervenção, o Presidente ucraniano sentou-se com um jornalista da FOX News, para uma entrevista em que reafirmou as suas ideias principais. Zelensky começou por fazer um balanço sobre o que tinha mudado desde a última vez que os dois tinham falado, destacando que a Rússia sofreu “pesadas baixas na frente de guerra”, especialmente na zona de Kharkiv. Ainda assim, reconheceu que a situação continua difícil e a ajuda continua a ser necessária.

Questionado sobre como reagiu ao ataque russo de segunda-feira ao hospital pediátrico, especialmente sendo pai, Zelensky respondeu que as perdas são sempre duras. Mas considerou que Putin não pensa no facto de serem crianças quando planeia um ataque, mas na melhor forma de enviar uma mensagem. O facto de o ataque ter acontecido na véspera da cimeira “foi um sinal para a NATO: Putin vai lutar assim”, acusou Zelensky.

Hospital pediátrico em Kiev: no dia seguinte ao ataque, Ucrânia acusa Rússia e Moscovo responsabiliza Kiev… e Noruega

Antes, o Presidente ucraniano já tinha utilizado este ataque como exemplo para defender que a Ucrânia precisa de autorização ocidental para atacar mais alvos em território russo, pois Moscovo escolhe todos os seus alvos de forma premeditada e Kiev tem de ser capaz de responder. “Quando é preciso derrotar inimigos, derrotam-se os inimigos. É assim que se ganham guerras”, afirmou.

As questões caminharam depois para as eleições norte-americanas e sobre o que Putin e Zelensky pensavam dos candidatos. Falando pelo Presidente russo, Zelensky respondeu, em tom de brincadeira, que não gostaria de nenhum porque “Putin não gosta da América”. Depois, esclareceu que tanto Biden como Trump defendem a democracia e Putin não, pelo que seriam sempre incompatíveis.

Quanto à sua opinião sobre uma possível reeleição de Donald Trump, admitiu que enquanto este foi Presidente, tiveram boas reuniões, mas que não enfrentaram uma guerra juntos e portanto não pode ser definitivo. Contudo, Zelensky considerou que a sua prioridade é que a atual política externa dos Estados Unidos, de apoio à Ucrânia, se mantenha. Uma vez que a coordenação é feita pela NATO e “os Estados Unidos nunca sairiam da NATO”, prefere não se preocupar.

Já sobre um potencial acordo de cessar-fogo, o líder ucraniano revela-se cético que tal possa acontecer. Na sua opinião, “Putin gosta de discutir, mas não passa disso” e, portanto, não é possível um diálogo produtivo. Como exemplo, menciona a Crimeia, sob ocupação russa há uma década. Para Zelensky, o Kremlin só quer discutir a situação na Crimeia como forma de obter uma pausa no conflito, porque não têm nada a mais ganhar, uma vez que já ocupam o território e não vão abdicar dele.

A entrevista chega ao fim com uma questão sobre “que mensagem deixaria ao povo norte-americano”. “Temos valores comuns, como a família”, respondeu o Presidente, considerando que a ambição de Putin o impede de partilhar destas emoções ou de pensar nas pessoas que morrem como “filhos e filhas” de alguém.

Putin não vai parar na Ucrânia. Ele vai atrás de países da NATO, ele é ambicioso. A longo prazo, os americanos vão perceber que tomaram a decisão certa ao apoiar a Ucrânia”, concluiu Zelensky, deixando o seu habitual pedido de apoio à Casa Branca, mas desta vez ao povo norte-americano.