O relatório final do comité criado no Congresso dos Estados Unidos para avaliar o impacto da pandemia de Covid-19 critica as medidas sugeridas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no combate à Covid-19, bem como a postura da OMS relativamente ao governo chinês. Os membros do comité da Câmara dos Representantes acusam mesmo a OMS de se ter colocado ao serviço dos interesses do Partido Comunista Chinês, permitindo que fosse escondida a gravidade da situação epidemiológica. Para além disso, o relatório sublinha que é provável que o vírus tenha tido origem num laboratório da cidade de Wuhan, na China.
O Comité da Representantes critica medidas como o distanciamento social e o uso de máscara, que, sublinha, não foram sugeridas com base em evidências científicas, escreve a CNN. “Não há provas conclusivas de que as máscaras faciais tenham efetivamente protegido os americanos da Covid-19“, vincam os congressistas no relatório, que tem mais de 500 páginas. Para além disso, “o confinamento prolongado causou danos incomensuráveis não só à economia dos EUA, mas também à saúde mental e física dos norte-americanos”, acrescentam. Os membros do comité defendem que estas recomendações eram baseadas em investigações sobre outros vírus respiratórios.
Relatório critica “esforço para ignorar imunidade natural” nos EUA
No entanto, o relatório elogia as restrições às viagens instituídas pelo governo Trump no início da pandemia, sublinhando que ajudaram a salvar vidas. Por outro lado, o relatório critica a administração Biden, que, realça, exagerou quando chamou a atenção dos norte-americanos para o poder das vacinas na prevenção da transmissão e da infeção. O relatório vinca que esta postura da administração cessante contribuiu para a falta de confiança de parte da população dos EUA nas vacinas. O relatório também acusa as autoridades de saúde pública de participar de um “esforço coordenado para ignorar a imunidade natural e suprimir opiniões divergentes”.
O relatório, liderado pelo republicano do Ohio Brad Wenstrup, acusa também a OMS de ter cedido “às pressões do Partido Comunista Chinês” e de ter colocado os “interesses políticos da China à frente dos seus deveres internacionais” por ter permitido que o regime de Pequim escondesse a gravidade da pandemia. O trabalho de investigação dos congressistas — que incluiu a realização de 30 entrevistas e a análise de cerca de um milhão de páginas de documentos ao longo de dois anos — aponta ainda como provável a tese de que o SARS-CoV-2 tenha tido origem num laboratório de Wuhan, a cidade de onde foram confirmados os primeiros casos de infeção. O vírus “provavelmente surgiu de um laboratório em Wuhan, China”, defende o relatório, justificando a tese com as características biológicas do vírus e doenças entre os investigadores do Instituto de Virologia de Wuhan no outono de 2019.
Vírus teve “provavelmente” origem no laboratório de Wuahn
O relatório do comité da Câmara dos Representes diz que, se existissem evidências da origem natural do vírus, essas provas já teriam surgido. Os congressistas realçam que cientistas não encontraram um animal infetado com o vírus que desencadeou a pandemia, mas lembra, por outro lado, que essa não é uma tarefa fácil e dão como exemplo a primeira epidemia de SARS, cuja origem demorou mais de uma década a ser identificada.
“Este trabalho ajudará os Estados Unidos e o mundo a prever a próxima pandemia, a preparar-se para a próxima pandemia, a proteger-se contra a próxima pandemia e, esperamos, a prevenir a próxima pandemia”, escreveu o presidente do comité, Brad Wenstrup, numa carta dirigida ao Congresso.