Os serviços secretos ucranianos mataram Mikhail Shatsky, um dos cientistas responsáveis por desenvolver o programa de mísseis da Rússia. O homem foi assassinado a tiro num parque em Kuzminsky esta quarta-feira, nos subúrbios de Moscovo perto de sua casa, e o seu corpo foi encontrado na neve, noticia esta quinta-feira o jornal ucraniano Kyiv Independent e o Ukrainska Pravda.

Mikhail Shatsky liderava a equipa que estava a modernizar os mísseis cruzeiros Kh-59 e Kh-69, trabalhando no Gabinete Experimental de Design Mars, localizado na capital russa, que pertence à Rosatom, agência estatal de energia nuclear. O Kh-59 pode atingir alvos até 200 quilómetros, enquanto o Kh-69 consegue atacar alvos até 400 quilómetros. Desde o início da guerra, este armamento tem sido usado pelas tropas russas para atacar território ucraniano. Além disso, o homem estaria a tentar incorporar inteligência artificial em drones, aeronaves e veículos especiais da Rússia.

O assassínio de Mikhail Shatsky terá sido orquestrado pelo serviços de informações pertencente ao Ministério da Defesa da Ucrânia, indica a imprensa ucraniana. Uma fonte disse ao Kyiv Independent que “qualquer pessoa que esteja envolvida no desenvolvimento do complexo militar industrial russo e que apoie a agressão russa na Ucrânia, de uma forma ou outra, é um alvo legítimo das Forças de Defesa”.

Nas redes sociais, circularam várias fotos do corpo de Mikhail Shatsky na neve com marcas de sangue. No Telegram, Alexander Nevzorov, uma figura da oposição russa no exílio, escreveu que era “culpado pela morte de milhares de ucranianos inocentes”. E considerou que o cientista era um “criminoso particularmente perigoso”. 

O mesmo dissidente contra o regime de Vladimir Putin sugeriu que o assassínio foi orquestrado por Kyrylo Budanov, líder dos serviços de informações do Ministério da Defesa ucraniano. “Tem os braços longos“, disse Alexander Nevzorov.

Para além de Mikhail Shatsky, outras figuras ligadas ao complexo militar industrial russo têm sido mortas pela Ucrânia nos últimos meses. Como recorda o jornal Times, Valery Trankovsky, pertencente à marinha e acusado de “crimes de guerra”, foi morto na Crimeia no mês passado. Em outubro, o piloto da Força Aérea Dmitry Golenkov, responsável por preparar ataques contra infraestruturas civis na Ucrânia, também foi encontrado morto na Rússia.