André Ventura considera que a rixa do Martim Moniz deixou “a nu” o “ridículo a que a esquerda se prestou” na manifestação “Não nos encostem à parede”. À margem de uma visita ao Espaço Júlia, um local de intervenção e acompanhamento a vítimas de violência doméstica, o líder do Chega reiterou que é preciso “mais operações” daquele género e “mais polícia todos os dias”.

“Tivemos um conflito entre imigrantes que acabou à paulada, com sangue espalhado nas ruas, com ataques a jornalistas, com ataques a quem estava à volta e quem é que chamaram? Chamaram a polícia. Podiam ter chamado Pedro Nuno Santos para resolver com a comunidade do Bangladesh, podiam ter chamado Mariana Mortágua, podiam ter chamado Rui Tavares, ou até o Luís Montenegro, mas não. Chamaram a polícia que criticaram, que disseram que tinha exagerado, que disseram que tinha usado força a mais”, criticou André Ventura.

Aos olhos do Chega, tal como tem sublinhado nos últimos tempos, é preciso “mais força policial na rua”, o que levou Ventura a rematar: “Precisamos de encostar à parede quem tiver que ser encostado à parede, seja branco, preto, amarelo, de que cor seja, seja de uma minoria, não seja de uma minoria, temos é que dizer com toda a segurança que queremos dar autoridade à polícia.”

Lisboa serviu de palco ao combate político sobre imigração e segurança

Com novas críticas à manifestação que aconteceu este fim de semana, entre a Alameda e o Martim Moniz, e que contou com a presença de vários dirigentes políticos, Ventura realçou que houve uma “figura honestamente deplorável que uma parte do país político” e sugeriu que este “engoliu em seco menos de 24 horas” depois.

“É preciso mais polícia, mais autoridade e darmos autoridade à polícia”, insistiu, reiterando que as operações têm sempre um “efeito dissuasor” quando são visíveis e que os recentes acontecimentos provam que a operação que aconteceu no dia 19 de dezembro “ainda não foi suficiente” e que é preciso “fazer mais uma, duas e três vezes”.

Para André Ventura, os partidos de esquerda e os líderes da esquerda devem um “pedido de desculpa” aos portugueses pelo facto de terem marcado presença naquela manifestação, que, diz, humilhou, insultou e denegriu as forças policiais.

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O líder do Chega entende que já se viram “pessoas encostadas à parede” noutros sítios e que o local ou a origem não deve ser impeditivo: “Parece que só por serem do Bangladesh não podem ser encostadas à parede, ou por serem da Índia, ou por serem ciganos. Quem comete crimes, ou é suspeito, ou numa zona onde há crime e onde este é visível, a polícia tem que ter a força e os meios para poder agir.  Se for para encostá-los à parede, tem que os encostar à parede. Se for para os revistar, tem que os revistar. Se for para ir à sua casa, tem que poder ir à sua casa. Não pode acontecer à polícia ter medo, hoje, de fazer alguma coisa”, insistiu, frisando que a polícia tem de “poder agir dentro da lei”.

Enquanto falava sobre este assunto, Ventura sublinhou que o Chega há muito tem vindo a alertar para aquilo a que chama “imigração descontrolada”, realçando que é preciso controlá-la, mas não só. “Estamos a ter bairros que deixam de ter o controlo público e onde a polícia está a ter cada vez mais dificuldade para entrar”, defendeu.

“Vamos exigir mais operações destas, mais controlo, mais segurança e mais polícia”, reiterou, alertando para a necessidade de “mais polícia [na rua] todos os dias e mais operações policiais visíveis, para mostrar a todos, imigrantes, nacionais e a todos os outros, que neste país têm de cumprir regras”.