Ao final da manhã, o líder do PS veio esclarecer que o que disse sobre imigração em entrevista ao Expresso “não é nenhuma cambalhota, nem contradição” em relação ao que o partido tem defendido sob a sua liderança. Pedro Nuno Santos não só criticou o instrumento da manifestação de interesses (que vinha dos governos socialistas), como falou na necessidade de os imigrantes “respeitarem o modo de vida” do país que os acolhe.
As declarações do socialistas tiveram reação rápida do Governo e, no Parlamento, em declarações aos jornalistas, Pedro Nuno Santos respondeu ao ministro da Presidência garantindo que “não há nenhuma cambalhota, nem contradição” no que disse. E isto porque “o instrumento legal que existia não era o mais adequado, mas o vazio legal que o Governo deixou ainda é pior porque empurra muitos trabalhadores estrangeiros para a ilegalidade”.
Pedro Nuno ainda acrescentou que “é muito importante que PS tenha um discurso sobre o tema e que seja coerente”, referiu defendendo uma linha de “respeito profundo por quem vem trabalhar e viver em Portugal, pela necessidade de criar condições para receber quem escolhe Portugal, mas obviamente regularmos os fluxos migratórios”. Para o socialista, “a regulação da imigração não pode ser deixada aos mercados”.
As declarações chegam não só depois do ataque do Governo, como também de críticas que já se ouviram dentro do seu próprio partido. Esta manhã, em declarações à Rádio Renascença, José Luís Carneiro disse que as afirmações feitas por Pedro Nuno ao Expresso “só podem assentar em pressupostos errados” e resultam de uma “informação que conduz a conclusões erradas”. Carneiro remeteu mesmo para declarações recentes de Pedro Nuno Santos a defender a manifestação de interesse. Num debate quinzenal no final do ano, o líder socialista defendia a existência de um mecanismo já que por causa do fim da manifestação de interesse o país tinha “vários setores da economia portuguesa a queixarem-se da falta de trabalhadores”.
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