António Leitão Amaro acusa Pedro Nuno Santos de ter tido “uma das maiores mudanças de opinião de um líder de oposição de que há memória, em Portugal”. “O líder do PS reconheceu que o seu partido estava errado e que governou de forma muito errada na imigração e reconheceu que a posição e nova política deste governo estão corretas”, afirmou, em declarações aos jornalistas esta sexta-feira.
“Ainda há semanas, o líder da oposição atacava o primeiro-ministro por ter mudado a política de imigração em Portugal para regulada e humanista e agora dá-lhe razão”, sublinha o ministro de Estado e da Presidência.
Em entrevista ao Expresso, publicada esta sexta-feira, o líder do PS admitiu que não se fez tudo bem nos últimos anos quanto à imigração e anunciou que vai propor uma solução legislativa que permita regularizar imigrantes que estão a trabalhar, recusando, no entanto, recuperar a manifestação de interesses.
“[Pedro Nuno Santos] concordou e aceitou a visão e proposta e política do Governo de acabar com a porta escancarada com o fim da manifestação de interesses e com uma integração que tem de funcionar, tem de ser humanista, feita de direitos e também de deveres — de um esforço de integração, na língua, na vida na comunidade, no trabalho, na cultura portuguesa”, assegurou ainda Leitão Amaro.
O ministro do Governo da Aliança Democrática diz que “há cada vez mais gente a perceber que era mesmo necessário mudar e que a governação do PS deixou decisões e práticas erradas”. “Gerou dificuldades relevantes e, por isso, esta mudança profunda de política do Governo trouxe mais regras, mais fiscalização e mais controlo, mas mais cuidado a uma integração humanista, é o caminho correto”, defendeu ainda.
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“Acho que ninguém hoje sabe qual é verdadeiramente a posição e o caminho que o PS quer, o que sabemos é que a porta estava escancarada, o Governo fechou a manifestação de interesses, o PS atacou e agora concordou”, criticou ainda Leitão Amaro.
Sobre eleições legislativas antecipadas, e perante a revelação do calendário socialista pelo líder do partido na entrevista ao Expresso, que terá pronta a “alternativa programática e de poder ao Governo da AD” precisamente na altura em que já é possível a dissolução da Assembleia da República, o ministro do atual Governo diz que os “portugueses nem querem ouvir falar desses cenários”. “Mas querem ouvir falar de mudança de políticas, nomeadamente da mudança de política de imigração”, ressalvou.
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“Tratámos sempre com a maior moderação a ligação, ou a ausência dela, entre imigração e segurança”
António Leitão Amaro repetiu várias vezes que durante a governação socialista “havia uma porta escancarada e a porta fechou-se”.
“Portugal teve, entre a abertura da porta escancarada e o dia 3 de junho de 2024, em que fechámos a porta, um dos maiores aumentos da população imigrante no conjunto da população do país na Europa, nesse período”, recordou, informando que, em poucas semanas, “são conhecidos os números atualizados das pessoas estrangeiras que estavam em Portugal quando fechámos a manifestação de interesses”. Diz que estes números são superiores aos que “estavam nas estatísticas”. “Isso resulta de uma escolha passada, dos desafios criados pelo fracasso e o erro da política de imigração socialista de portas escancaradas”, alega ainda.
“Somos responsáveis pelas mudanças que estamos a fazer e estamos inabalavelmente comprometidos com a defesa da segurança de quem vive em território nacional”, afirmou de seguida, para logo depois ser questionado por um jornalista sobre se está a relacionar imigração e insegurança. “Tratámos sempre com a maior moderação a ligação, ou a ausência dela, entre imigração e segurança”, garantiu, referindo-se a si e ao primeiro-ministro, cujas declarações públicas aconselha a ouvir. Garante que demonstram a coerência e moderação em relação à questão.