Mariana Leitão, a candidata da Iniciativa Liberal (IL) a Belém, considera que voltar a ter um militar na Presidência da República consegue “até certo ponto ser um retrocesso civilizacional”. A afirmação foi feita durante uma entrevista à SIC Notícias, em que foi questionada sobre se teme uma candidatura de Henrique Gouveia e Melo, que as sondagens recentes apontam como favorito na corrida à Presidência.
“É algo de que o ex-Presidente general Ramalho Eanes nos libertou, de alguma forma, em que devolveu a democracia civil aos portugueses e não gostaria nada de voltar a ver aquilo que considero ser um retrocesso”, declarou a liberal, que foi apresentada como a candidata da IL a Belém na convenção do fim-de-semana passado. À SIC Notícias, explica que tem como objetivo de candidatura “mostrar ao portugueses que é possível ter ambição, que é preciso ter otimismo”. “Precisamos de acreditar que o país pode ser diferente e que não temos de estar conformados com aquilo que tem sido o trajeto até agora — que não tem sido bom.”
Mariana Leitão considera “que o país está estagnado” e que é preciso “ter um país que cresça, que permita às pessoas terem oportunidades de vida e ambicionarem terem aquilo que quiserem e não serem condicionadas nos seus sonhos”. Para já, declara que “não é por percentagens ou por resultados que se avalia” uma candidatura. “O necessário é haver uma voz que represente esse espaço de liberdade, esse otimismo, a vontade de ter um país diferente.”
Em relação aos restantes candidatos anunciados até agora refere que “representam, no fundo, a continuidade e a estagnação”. “Eu quero representar uma coisa diferente, dar essa esperança aos portugueses e mostrar-lhes que é possível um país diferente., explicou. Rejeita ainda que haja uma fragmentação nos candidatos à direita. “As restantes candidaturas é que se dividem entre esse conformismo e essa estagnação. O que quero é representar uma coisa diferente. Estou a dar uma alternativa diferente.”
Também respondeu às críticas de Luís Marques Mendes, o candidato que Luís Montenegro disse “preencher em absoluto todos os requisitos” e que se fez valer da experiência política. “Acho que os portugueses conseguem avaliar bem o que essa experiência tem trazido ou não ao país. A verdade é que não podemos olhar para o cargo de Presidente da República como quase uma pré-reforma de políticos ou comentadores”, afirmou.
“Alguém que não tem tanta experiência mas tem uma visão diferente do mundo, uma ambição diferente e um inconformismo que faz ter uma visão diferente e mais energética possa ser algo muito importante para o país”, assegurou ainda. “Se calhar esta energia, otimismo e vontade acabam por ser bom contraponto talvez a essa experiência de largas décadas que Luís Marques Mendes tem.”
O PS ainda não escolheu um candidato — deverá fazê-lo no próximo fim-de-semana. Questionada sobre se prefere enfrentar António José Seguro ou António Vitorino, diz não ter “qualquer tipo de preferência”. “É uma escolha que compete ao PS decidir quem apoia ou não apoia, o que se percebe é que a escolha está a ser muito difícil para o PS”, notando que “andam há vários meses com várias figuras a virem manifestarem-se e a atacarem-se uns contra os outros”.