“Extremamente perigosos”, armados e com documentos falsos. É esta a descrição que as autoridades espanholas fazem de Mark Roscaleer e Rodolfo Lohrmann, os últimos evadidos de Vale de Judeus a serem recapturados. As detenções ocorreram quinta-feira, em Alicante, perto de uma bomba de gasolina, com as autoridades a apreenderam ainda uma pistola, um revólver, 50 mil euros, matrículas falsas e documentos falsos.
“O dispositivo de vigilância procurou o momento mais seguro para a detenção, porque temíamos que estivessem armados. Quando vimos a oportunidade, quando saíram do carro, para segurança deles e dos populares, avançámos com a detenção”, descreveu o comissário Martínez Duarte, da Policía Nacional, presente na conferência conjunta que contou com autoridades dos dois países da Península Ibérica.
Os dois trabalhavam entre Málaga e Alicante, com Martínez a referir que ainda será feita “uma reconstrução” da atividade dos criminosos no sul de Espanha.
Já no fim da conferência, em resposta aos jornalistas, o Diretor Nacional da PJ, Luís Neves, admitiu que foi equacionada a hipótese de os fugitivos estarem “a cometer assaltos para terem dinheiro para fugirem para a América Latina”.
Detenção de dois evadidos em simultâneo foi “cereja no topo do bolo”
A conferência conjunta, em Madrid, contou também com a participação do Diretor Geral da Policía Nacional, Francisco Pardo Piqueras, e o comissário-geral da Policía Judicial, Luis Fernando Pascual Grassa.
O diretor da PJ assumiu que recebeu, com surpresa, a notícia de que tinham sido detidos, em simultâneo, dois reclusos, uma vez que a informação recolhida pelas autoridades apontava para uma atividade mais solitária de Roscaleer. “Nunca pensámos que pudessem estar os dois juntos. Foi a cereja no topo do bolo”, disse.
O máximo responsável da Policía Nacional espanhola disse que os reclusos “extremamente perigosos” ainda estão em Alicante: “um dos detidos já está à disposição do tribunal, para ser ouvido, sendo que outro só será ouvido no domingo, para que se iniciem os processos de extradição”.
“Entre hoje e domingo vão ser colocados à disposição da justiça. Há mandados de detenção europeus e pensamos que serão cumpridos”, explicou Luís Neves: “os dois aguardam extradição para Portugal. O cidadão argentino é procurado em vários países, mas a informação que temos é que regressará a Portugal. Os mandados de detenção europeus são mais rápidos do que os de extradição internacional”.
“Lohrmann era uma dos mais procurados em toda a América Latina. A Argentina já pediu a extradição”, acrescentou o diretor da PJ.
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Articulação internacional “desde o momento zero”
A cooperação internacional para a captura dos fugitivos começou desde “o momento zero”, isto é, mal foi conhecida a evasão de Vale de Judeus, explica Francisco Piqueras. Luís Neves anuiu e explicou que, dada a proximidade geográfica, a hipótese de uma fuga para o país vizinho foi sempre tida muito em conta, o que se confirmou com os dois últimos recapturados: “Pensamos que pouco tempo depois da fuga vieram para Espanha. Roscaleer tinha apoios no sul de Espanha”.
Apesar de ter sido apanhado em Marrocos, a cooperação ibérica também foi essencial na detenção de Fábio Loureiro. O português, e primeiro evadido a ser recapturado, foi ‘atraiçoado’ pelo amor da família, uma vez que as autoridades seguiram os passos da sua namorada, que se tentou encontrar com o criminoso em Tânger.
Foi na deslocação para o Norte de África que se tornou importante a articulação com as autoridades espanholas, uma vez que a mulher passou pelo aeroporto de Madrid no caminho até Fábio.
Com o fim da Operação Retorno, que ao final de cinco meses resultou na captura dos cinco evadidos, Luís Neves assume que é “um dia feliz” para a PJ.
“É um dia feliz para nós, polícia, e para a justiça. A justiça portuguesa está profundamente reconhecida aos seus colegas por ter permitido um trabalho assente na confiança. É importante termos cumprido esta missão, este objetivo. Cumprimos a nossa missão que é proceder à captura de cinco perigosos condenados. É o pensamento nas vítimas e nas famílias que nos motivam para ter a força para estes trabalhos”
Luís Neves destacou o trabalho realizado “dos dois lados”, com “muita parceria, um grande profissionalismo, muito sacrifício das pessoas e muito sofrimento”.
“Há justamente cinco meses, cinco fugitivos fugiram da prisão portuguesa de Vale de Judeus. Ontem conseguimos deter os últimos fugitivos”, enalteceu Francisco Piqueras.
Cinco meses depois, a Operação Retorno chegou ao fim com a recaptura dos cinco fugitivos que escaparam, em setembro de 2024, da prisão de Vale de Judeus. Entre os evadidos, apenas Fernando Ribeiro foi encontrado em Portugal. Fábio Loureiro estava em Marrocos e Shergili Farjiani em Itália.