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Trump tinha garantido que os EUA não tinham dado “nada demais” em troca da libertação de Mark Fogel, o professor natural da Pensilvânia que na terça-feira à noite regressou ao território norte-americano, após três anos preso na Rússia. Afinal, houve troca de prisioneiro por prisioneiro mas os crimes não se equiparam, de todo. Alexander Vinnik é um conhecido criminoso ligado ao cibercrime, que estava atualmente detido na Califórnia, e que vai voltar à Rússia esta quarta-feira, avançou o New York Times. Já o norte-americano estava na cadeia por posse de marijuana, tendo sempre argumentado que estava prescrita por um médico.

Fogel foi preso em Moscovo por causa de marijuana para as “dores na coluna”. Três anos depois regressa aos EUA numa libertação incomum

O russo, de 44 anos, detido há oito anos em frente aos filhos, que têm agora 11 e 14 anos, enquanto passava férias na península grega de Halkidiki, foi acusado, em 2017, de supervisionar uma bolsa de criptomoedas russa no mercado negro. A BTC-E  ajudou a lavar cerca de quatro mil milhões de dólares (cerca de 3.8 mil milhões de euros) e apoiou a atividade de várias empresas criminosas nos EUA. Entre os crimes que praticou, ou facilitou — de 2011 a 2017 — contam-se os de fraude, roubo de identidade, tráfico de droga e corrupção.

O Departamento de Justiça dos EUA descreveu a atividade praticada pelo cidadão russo como uma das principais formas de os cibercriminosos transferirem, branquearem e armazenarem o produto criminoso das suas atividades ilegais no país.

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O esquema na base da atividade criminal consistia no roubo ou extorsão de bitcoins às suas vítimas, que transferiam as moedas virtuais para a BTC-E [a plataforma de criptomoedas explorada por Vinnik], que depois convertia a moeda virtual em moeda tradicional utilizando uma série de contas bancárias registadas em offshores.

Detido na Grécia, numa pequena aldeia à beira-mar, tinha na altura 37 anos, e foi extraditado para território norte-americano com base nos crimes praticados no país. Foi inicialmente extraditado para França, onde também era procurado pela justiça, e depois para os EUA, onde se declarou culpado em maio de 2024 de conspiração para cometer lavagem de dinheiro, recorda a Reuters.

As autoridades norte-americanas associaram o mesmo homem ao fracasso da Mt. Gox, uma bolsa de bitcoin sediada no Japão que entrou em colapso em 2014 após ter sido pirateada. Vinnik obteve fundos da ação de pirataria à Mt. Gox e lavou-os através da BTC-e e da Tradehill, outra bolsa de valores com sede em São Francisco, nos EUA, de que era proprietário.

A sentença final de Vinnik deveria ter sido proferida em janeiro, na Califórnia, já depois de o acusado ter confessado parte dos crimes, mas um juiz federal dos EUA concordou, em novembro, em adiar a sentença para junho de 2025, num breve despacho que não citava a razão do atraso. Estava sujeito a ser condenado a, até, 20 anos de prisão.

Depois de passar oito anos na prisão, de onde não foi autorizado sequer a sair para ir ao funeral da mulher, em 2020, recorda a Newsweek, o russo volta à terra natal através de um acordo dos EUA com a Rússia.