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Marc Fogel, um professor norte-americano que estava detido na Rússia desde 2021, foi esta terça-feira libertado naquilo que a Casa Branca apelida de um esforço diplomático da administração de Donald Trump que poderá fazer avançar as negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia.
Steve Witkoff, enviado especial do Presidente dos EUA para a negociação da libertação, deixou esta terça-feira o espaço aéreo russo com Fogel, que passou os últimos anos em cativeiro. O professor, originário da Pensilvânia, irá reunir-se com a família nas próximas horas, mas antes vai ser recebido na Casa Branca, por volta das 22h00 (03h00 em Lisboa), como anunciado pelo próprio Trump em declarações aos jornalistas.
“Estamos extremamente gratos, aliviados e emocionados porque, depois de mais de três anos de detenção, o nosso pai, marido e filho, Marc Fogel, finalmente está a voltar para casa”, afirmou a família Fogel num comunicado citado pela BBC, após receber a notícia da libertação.
Numa fotografia partilhada no X pelo jornalista Asaad Sam Hanna, Fogel surge a bordo de um jato privado da comitiva norte-americana.
Marc Fogel spent four years as a prisoner in Russia, that’s exactly the time of Biden/Harris administration. They didn’t care about any American prisoner, they didn’t do anything to bring them home.
Today, Steve Witkoff is bringing him back home as instructed by President Trump. pic.twitter.com/N00jNSdnSG— Asaad Sam Hanna (@AsaadHannaa) February 11, 2025
Questionado sobre se os EUA tiveram de dar alguma coisa à Rússia “em troca” da libertação do cidadão norte-americano, Trump, a partir do Salão Oval, respondeu que “não tiveram de dar muito“.
“Eles foram muito simpáticos, ele foi devolvido de forma muito tranquila pela Rússia“, assegurou, afirmando que espera que este “seja o início de uma relação [com a Rússia] em que a guerra e que milhões de pessoas parem de ser mortas possa se terminada”.
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O Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, Mike Waltz, tinha anunciado antes que os EUA e a Rússia “negociaram uma troca” para garantir a libertação de Fogel, sem nunca referir qual a contrapartida oferecida pela administração norte-americana para a libertação.
Como destaca o New York Times, há um pendor de diferença na libertação de Fogel em relação às anteriores trocas de espiões russos ou de prisioneiros. Nessas trocas, os russos levavam os detidos de avião para outros países, como a Turquia, que acolhia a troca. Witkoff voou diretamente para Moscovo, um acordo muito diferente que poderá assinalar uma nova forma de negociar com a Rússia.
Professor de inglês acabou preso em Moscovo devido à marijuana medicinal que transportava
O norte-americano que foi esta terça-feira libertado tem atualmente 66 anos, foi detido em agosto de 2021, num aeroporto de Moscovo, depois de ter sido encontrada canábis em sua posse. Tinha viajado para o país com cerca de 17 gramas de marijuana, que a sua família e o advogado disseram ter sido recomendada por um médico para tratar “dores fortes na coluna”.
A justificação médica não colheu junto das autoridades russas, que sentenciaram o professor, que na altura lecionava inglês numa escola da capital, a uma pena de prisão efetiva de 14 anos por posse ilegal de droga. Começou a cumprir a sentença em 2022 e só em dezembro de 2024 é que o governo dos EUA entendeu oficialmente que a detenção no estrangeiro era injusta.
Fogel tinha trabalhado como diplomata na embaixada dos EUA na Rússia anos antes, atividade profissional que poderá feito com que tenha ficado na mira das autoridades russas, que aproveitaram o pequeno delito para o deter um longo período de tempo no país.
A família do professor passou os últimos anos a pressionar a antiga administração de Joe Biden a negociar a sua libertação e foi com grande deceção que recebeu a notícia de que tinha ficado de fora das trocas de prisioneiros tanto em 2022 como, mais recentemente em 2024.
Em agosto de 2024, tiveram lugar as maiores negociações para libertar prisioneiros entre o Ocidente e a Rússia de sempre. A complexa e delicada operação diplomática juntou sete países em negociações secretas. Foram libertados 24 prisioneiros norte-americanos na Rússia e, como moeda de troca, o Kremlin consegue que Vadim Krasikov, antigo membro dos serviços secretos condenado à prisão perpétua na Alemanha, regresse a solo russo, juntamente com outros nove prisioneiros, entre hackers e espiões.
Em declarações à BBC, em agosto, Anne Fogel, a irmã do prisioneiro, detalhou o esforço da família para que o familiar fizesse parte da lista de pessoas que iriam regressar a solo norte-americano naquele mês. “Estávamos a ligar freneticamente para senadores, congressistas, embaixadores, ex-embaixadores russos que serviram lá, e não tínhamos notícias para ele”, descreveu, dizendo que se sentiu “traída” pelo Governo dos EUA quando percebeu que Fogel não ia voltar a casa.
O caso tem vindo agora a ser utilizado como exemplo por apoiantes de Trump, em relação ao que Biden não conseguiu fazer e o que a nova administração republicana conseguiu negociar num espaço temporal de semanas.