O Ministério da Justiça italiano aprovou na segunda-feira o processo contra o vocalista da banda de rock britânica Placebo, Brian Molko, por ter acusado a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, de ser “fascista, racista e nazi“, num concerto realizado em 2023, em Turim.
Os comentários do músico a Meloni aconteceram a 11 de julho de 2023 durante o Sonic Park Music Festival, em Stupinigi. Na mesma intervenção, o músico pediu mais proteção e direitos para as pessoas não binárias e transgénero. Depois, o líder dos Placebo, dizendo que se sentia “europeu”, insultou Giorgia Meloni e criticou as políticas levadas a cabo pelo governo de direita que a primeira-ministra chefia. O momento ficou gravado e foi partilhado nas redes sociais, como por exemplo a X.
During the Stupinigi Sonic Park, the Placebo lead singer Brian Molko calls PM Giorgia Meloni 'racist, fascist', concluding 'fuck you'.
July 11, 2023 pic.twitter.com/eqmJLcH4Qp
— Crazy Ass Moments in Italian Politics ???????? (@CrazyItalianPol) July 12, 2023
Apesar de a multidão ter louvado os insultos à primeira-ministra italiana, os carabinieri (corpo nacional de gendarmeria da República Italiana) fizeram queixa ao procurador, ação seguida pela própria Meloni. Para completar o processo, os procuradores precisaram de pedir autorização ao Ministério da Justiça, necessária no caso de crime de desprezo pelas instituições, afirma o jornal italiano La Stampa.
Caso seja condenado, o arguido será punido com uma multa que poderá ir de 1.000 a 5.000 euros.
O porta-voz da banda Placebo já declarou que a banda não irá prestar declarações sobre o processo de Brian Molko, diz o The Guardian.
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Meloni já apresentou queixa contra outras personalidades por alegada difamação — por exemplo, o escritor e jornalista italiano Roberto Saviano, por se ter referido à líder do partido Irmãos de Itália como “bastarda” num programa de televisão, em 2020, antes da eleição que a tornou primeira-ministra.
O processo judicial ficou fechado em outubro de 2024 e Saviano foi condenado a pagar uma multa de 1.000 euros.
Meloni também apresentou queixa contra o historiador Luciano Canfora, que a acusou de ser neonazi, mas acabou por retirar a queixa e os tribunais arquivaram o caso em outubro de 2024.