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O projeto de acordo de paz que os EUA e a Rússia estão a delinear para o fim da guerra na Ucrânia implica que se realizem novas eleições no país como contrapartida para o fim das hostilidades, segundo informa o jornal britânico The Telegraph. A proposta levanta a hipótese de que a Rússia utilize a votação para tirar Volodymyr Zelensky do poder — ainda em tempo de guerra — e instalar um candidato pró-Putin que concorde com termos de paz favoráveis a Moscovo.

O princípio de acordo surgiu, segundo o jornal britânico, na reunião entre os chefes da diplomacia de ambos os países, Marco Rubio e Sergey Lavrov, que se encontraram pela primeira vez na capital da Arábia Saudita, Riade, esta terça-feira. Depois de mais de quatro horas de reunião, Lavrov e Rubio concordaram que uma das condições essenciais, antes de um acordo de paz permanente, seja a organização prévia de novas eleições na Ucrânia, as primeiras organizadas no país desde 2019, já que a lei marcial adiou o sufrágio previsto para 2024.

A posição norte-americana foi confirmada pelo próprio Donald Trump, que revelou que a exigência de eleições foi sua durante uma conferência de imprensa, esta terça-feira, em Mar-a-Lago. “Se a Ucrânia quer um lugar à mesa, não terá de dizer que faz muito tempo que não tem eleições? Não se trata de uma coisa russa, é algo que vem de mim e de muitos outros países também“, criticou o Presidente norte-americano, alegando ainda que o homólogo tem só “4% de taxa de aprovação”, apesar de uma sondagem de janeiro indicar que Zelensky tinha uma taxa de aprovação de 52%.

A questão das novas eleições tem sido um ponto sensível para Zelensky, que diz que o povo ucraniano “absolutamente não quer” eleições pelos riscos de desmobilização que uma ida às urnas, que terminaria a lei marcial atualmente em vigor, podiam ter para o país. “Agora temos mobilização, somos um único organismo, um único país. E, portanto, é muito importante que continue a ser assim”, afirmou o Presidente ucraniano no sábado.

Petro Poroshenko, opositor e antecessor de Zelensky, já tinha mesmo apontado uma data para novas eleições: “26 de outubro deste ano”. A exigência citada pelo ex-Presidente do país, sancionado pelo governo ucraniano na semana passada por “ajudar a Rússia”, tinha como base insinações de mudanças nos cadernos eleitorais.

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Trump apoia tropas europeias no terreno. E admite encontro com Putin ainda este mês

As conversas entre Rússia e EUA em Riade aconteceram sem representação da Ucrânia, levando a novas reclamações de Kiev. “Mais uma vez, as decisões sobre a Ucrânia estão a ser tomadas sem a Ucrânia. Pergunto-me por que razão acreditam que a Ucrânia aceitaria todos estes ultimatos agora, se os recusámos no momento mais difícil?”, disse Zelensky, de visita à Turquia.

Rubio, Lavrov e as respetivas delegações diplomáticas terão discutido ainda, segundo o The Telegraph, a possibilidade de tropas de outros países poderem ou não entrar na Ucrânia antes ou depois do cessar-fogo.

Macron garante que “França não está a preparar envio de tropas” para a Ucrânia

Rubio terá concordado, após várias discussões na reunião, que os EUA enviem botas norte-americanas para terreno. No entanto, Lavrov foi mais longe: os russos não querem quaisquer tropas estrangeiras na Ucrânia.

O Presidente norte-americano, porém, diz que não se opõe a que forças de manutenção da paz vindas de países europeus que apoiam este tipo de medida, como a França e o Reino Unido. “Se quiserem fazer isso, ótimo. Sou totalmente a favor. Se quiserem fazer isso, acho que seria ótimo”, sublinhou o chefe de Estado dos EUA, que afastou qualquer oposição norte-americana às iniciativas franco-britânicas a que chamou “um bonito gesto”.

Durante a mesma conferência de imprensa, o Presidente norte-americano antecipou a possibilidade de encontrar com Putin até final deste mês. Aos jornalistas presentes em Mar-a-Lago, sugeriu também que a vontade de Vladimir Putin de invadir e ocupar a Ucrânia já era antiga, datando de reuniões que os líderes tiveram durante o seu primeiro mandato na Casa Branca.

“Eu costumava discutir o assunto com Putin. O Presidente Putin e eu falávamos sobre a Ucrânia, e era a menina dos seus olhos”, contou Trump, que quis, no entanto, deixar claro que, durante esse período, “nunca houve uma hipótese” de Putin avançar com a sua ambição. “Eu disse-lhe: ‘É melhor não entrares, não entres, não entres’. E ele compreendeu isso (…) perfeitamente”, rematou.