Uma adolescente de 15 anos que foi raptada da Maternidade Júlio Dinis (agora Centro Materno Infantil), no Porto, em 2019, foi encontrada na Geórgia, meses depois. No entanto, não havia sinal do filho. A jovem era controlada por uma rede criminosa que além de forçar menores à mendicidade, os obrigada a ter relações sexuais com os elementos mais velhos do grupo, vendendo depois os seus recém-nascidos, avançou esta segunda-feira o Jornal de Notícias que no domingo publicou um trabalho sobre menores que eram comprados na Roménia para depois pedirem dinheiro em pontos turísticos e hospitais,.
Em 2019, a jovem de nacionalidade romena foi sinalizada pela PSP nas ruas de Viseu e transportada para um hospital local. Face ao seu estado de saúde, e de tempo de gravidez, foi depois internada na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, de onde viria a desaparecer dias depois, quando duas mulheres que se apresentaram como familiares foram autorizadas a visitá-la. As mulheres serão membros da organização criminosa que controlava a jovem e levaram-na da maternidade, sem que ninguém desse conta. Foi só ao final do horário das visitas que o pessoal do hospital percebeu que a jovem tinha desaparecido.
Ao Observador, o comissário da PSP João Soeima afirmou que a jovem foi de imediato retirada de território nacional e que os inquéritos acabaram por ser fechados face à falta de novidades no caso. Meses depois, no âmbito de uma operação da Eurojust e Europol de desmantelamento de uma organização criminosa envolvida em tráfico humano, fraude qualificada e lavagem de dinheiro, as autoridades conseguiram identificar o caminho percorrido pela menor até ao momento em que foi localizada.
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Passou por Espanha e Itália até chegar à Geórgia, onde foi identificada “durante uma ocorrência de rotina”, acompanhada por uma das duas mulheres que a tinha levado da maternidade. O bebé não estava com nenhuma das duas e o seu paradeiro é desconhecido. A PSP e o Ministério Público do Porto suspeitam que a criança tenha sido vendida a países como a Espanha, Reino Unido, Alemanha, Roménia ou até mesmo Portugal. No entanto, a venda de bebés não seria o principal objetivo da organização, referiu João Soeima ao Observador.
Em abril de 2024 as autoridades portuguesas e romenas desmantelaram a rede criminosa que alegadamente transportava cidadãos romenos, na sua maioria menores e mulheres comprados na Roménia, para Portugal. Depois, usava-os para mendigarem e pedirem dinheiro para uma associação fictícia. As vítimas fingiam ser surdas-mudas. De acordo com a Eurojust, esta organização terá conseguido mais de 230.000 euros pela sua atividade.
“Isto faz parte de uma rede de vários grupos que circulavam à data pela Europa, cuja organização tinha sede na Roménia, e que se dedicavam precisamente à mendicidade”, explicou o comissário. “A organização vivia dos proventos retirados a partir da mendicidade, da burla que criavam a partir da exposição de menores surdas-mudas, que não o eram. Portanto, tratava-se de uma burla para poder chegar mais facilmente ao coração das pessoas, às doações, e utilizavam também os menores para a prática de pequenos furtos de oportunidade”.
“As menores eram entregues pela própria família à organização e estavam ao cargo da rede, de indivíduos que estavam em Portugal com elas e que conviviam com elas”, acrescentou.
No âmbito da operação, foram realizadas seis buscas domiciliárias, interrogados três arguidos e entrevistadas cinco testemunhas na Roménia. Pelo menos três vítimas foram identificadas e colocadas em segurança.