Nova associação de apoio, novos problemas para Henrique Gouveia e Melo. Os embaraços para o candidato, atestados pelo Observador, vão desde um acusado no caso Tutti Frutti ao uso abusivo do nome de um ex-deputado social-democrata. Entre os mais de 90 nomes listados como apoiantes da associação cívica “Honrar Portugal” — lançada esta sexta-feira com o objetivo de “promover a candidatura de Henrique Gouveia e Melo à Presidência” —, apareceu António Carvalho Martins, o do antigo deputado do PSD. Ao Observador, o social-democrata negou o apoio à associação.“É impossível estar aí o meu nome, não faço parte desse movimento”, garantiu.
São vários os nomes de (antigas e atuais) personalidades do PSD que figuram na lista de apoiantes da associação, entre eles, Alberto João Jardim, Isaltino Morais, Carlos Carreiras e Rui Gomes da Silva (este último muito próximo de André Ventura). Quando o website foi lançado, na companhia destes, aparecia o nome de Carvalho Martins. Porém, o social-democrata, deputado à Assembleia da República em quatro legislaturas, garante que não aprovou essa menção.
Fonte da organização da associação justificou ao Observador que o caso se tratou de um “lapso” que terá ocorrido “no cruzamento de várias listas de nomes”. Após ser confrontada com a posição de Carvalho Martins, a Honrar Portugal retirou o nome do website. “A questão foi prontamente resolvida”, garante a fonte ao Observador.
Ainda que tenha remetido o anúncio formal da candidatura a Belém para depois das eleições legislativas, Henrique Gouveia e Melo disse esta sexta-feira estar “muito honrado com este movimento da sociedade civil”. O ex-Chefe do Estado-Maior da Armada tem presença garantida no primeiro evento oficial da mesma que se realizará este sábado, em Arouca. A associação cívica explica que organizará “conferências, seminários, sessões públicas e ações de angariação de fundos dedicadas exclusivamente a este propósito”.
Ampla base de apoio do movimento inclui acusado no processo Tutti Frutti e sogra de Sócrates
Um social-democrata incluído na lista que efetivamente apoia Henrique Gouveia e Melo é André Pardal, formalmente acusado, em fevereiro passado, no âmbito do processo Tutti Frutti, por um crime de tráfico de influências. O membro do Conselho Nacional do PSD diz ao Observador que, “estando num Estado de Direito em que deve prevalecer a presunção de inocência”, o facto de ser acusado no megaprocesso “não é inibidor” e não deve limitar a sua capacidade de “participação cívica”.
Pardal explica que é visado na justiça por um alegado crime “derivado da atividade profissional de advogado, por ter acompanhado um cliente e ter realizado uma reunião com uma entidade pública”. O social-democrata, que desempenhou cargos partidários na JSD e PSD, afirma ser apenas um dos muitos nomes que nesta fase demonstraram apoio a Gouveia e Melo e não acredita que o seu apoio seja indesejado pelo futuro candidato presidencial: “Penso que o almirante também acreditará no Estado de Direito.”
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Mas nem tudo são embaraços. O movimento de apoio a Gouveia e Melo tem por base um grupo de sete membros fundadores entre os quais estão a constitucionalista Teresa Violante, o presidente da Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing, Carlos Sá, e o diretor do museu Madame Tussaud de Nova Iorque, Tiago Mogadouro. Esta sexta-feira ficaram igualmente a ser conhecidas 91 personalidades que apoiam a associação cívica e, por extensão, do movimento que tem como objetivo levar o Almirante a Belém. Os apoiantes agora conhecidos vêm de várias áreas de atividade, uma parte substancial dos quais sem ligações político-partidárias conhecidas. Na lista encontram-se, nomeadamente, vários militares com passagens pela marinha. No entanto, é na área da política que se encontram os nomes mais sonantes.
Personalidades do PSD unem-se em associação de apoio a Gouveia e Melo para Presidente
Os nomes de antigos ou atuais sociais-democratas abundam. Para além dos já mencionados, declararam o apoio a Gouveia e Melo, o antigo presidente da bancada parlamentar do PSD Adão Silva, a antiga secretária regional do PSD-Madeira Augusta Aguiar e o antigo ministro da Administração Interna Ângelo Correia. À direita, também foi formalizado o apoio de personalidades do CDS como o ex-presidente do partido Francisco Rodrigues dos Santos e, aquele que foi um dos seus vices, Pedro Melo, numa altura em que a candidatura de um ex-presidente centrista, Paulo Portas, ainda não está fechada.
Entre os poucos nomes com ligações à esquerda destaca-se o presidente socialista da junta de freguesia de Campolide Miguel Belo Marques. A artista plástica Clotilde Fava, mãe da ex-mulher do antigo primeiro-ministro José Sócrates, é igualmente uma das apoiantes da associação Honrar Portugal.