1246,7kWh poupados 1246,7 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Gouveia e Melo pode anunciar candidatura em março
i

▲Gouveia e Melo pode anunciar candidatura em março

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Gouveia e Melo pode anunciar candidatura em março

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Jantar "comício", movimento de maçons e apoios partidários. Almirante corta pela raiz ligações tóxicas para a candidatura a Belém

Almirante sugeriu fim do MAAP e rejeitou jantar pago que podia ser confundido com campanha. Gouveia e Melo vai ser mais criterioso com os convites que aceita para evitar cometer erros que comprometam.

Com boas sondagens e sem precisar de notoriedade, a prioridade de Henrique Gouveia e Melo é não cometer erros nos próximos meses rumo a Belém. O almirante adotou uma postura de cortar pela raiz qualquer ligação tóxica que possa prejudicar a futura candidatura presidencial e, por isso, anulou a participação de um jantar em Alcochete com 110 pessoas na próxima sexta-feira e sugeriu diretamente aos promotores do Movimento de Apoio Almirante à Presidência (MAAP), onde se incluíam influentes maçons, que este fosse dissolvido.

Fonte próxima do almirante admite ao Observador que Henrique Gouveia e Melo está nesta fase a tentar “afastar algumas tentativas de pessoas que com boas, ou não tão boas, intenções” o podem estar a tentar “ajudar”. O antigo chefe do Estado-maior, diz a mesma fonte, quer “defender a posição de independência de todo o tipo de organizações ou grupos que possam comprometer a mesma.” O mote do almirante para estas situações, diz a fonte próxima, é uma frase que disse recentemente: “Só jurei fidelidade a Portugal e à Constituição.”

Almirante Gouveia e Melo, diz fonte próxima ao Observador, procura "defender a posição de independência de todo o tipo de organizações ou grupos que possam comprometer a mesma"

Depois de duas falsas partidas recentes, o almirante vai, a partir de agora ser ainda mais criterioso nos eventos em que participa. Desde que saiu da Armada, no final de 2024, apareceu em apenas duas cerimónias públicas: na de condecoração que Marcelo Rebelo de Sousa lhe deu (onde não falou), no próprio dia em que passou à reserva, e numa edição especial do podcast Expresso da Manhã. Para já, vai seguir no que continua a classificar de “merecidas férias”.

“O arrastão” que não aconteceu, 3 mil euros “em bilhetes” e uma acusação de mentira

O último episódio que o almirante Gouveia e Melo decidiu cortar pela raiz iria acontecer esta sexta-feira, 24 de janeiro, no restaurante O Arrastão, em Alcochete. A ideia era participar na tertúlia “Pensar Alcochete”, que tem como principal dinamizador o antigo candidato à presidência do Sporting e denunciante do processo Freeport, Zeferino Boal. O encontro já não vai acontecer e as duas partes têm trocado acusações.

Gouveia e Melo foi convidado e aceitou pela primeira vez encontrar-se com este grupo em dezembro de 2021. Na altura foi convidado para assumir as funções Chefe do Estado-maior da Armada e a conferência acabou por ser adiada a seu pedido. No final do ano, após sair da Armada, Zeferino Boal renovou o convite, através de André Pardal, ex-deputado do PSD, que fez o contacto com o almirante.

No início de janeiro o almirante aceitou e escolheu o tema: “Vírus Anti-democrático“. Haveria um jantar privado e depois uma intervenção de Henrique Gouveia e Melo. No entanto, a 48 horas do evento, o almirante informou que já não estaria presente. À organização alegou, num primeiro momento, que “não queria dar sinais de que seria uma ação de campanha”, que “não queria ter agenda pública”, ainda para mais “com muita gente”, a parecer “quase um comício”.

Henrique Gouveia e Melo também não gostou de saber que as pessoas pagavam o jantar antecipadamente e que estava a ser convocada comunicação social para o evento (o Observador, por exemplo, já tinha tido acesso a um link para aceder à intervenção via zoom). Em declarações ao Correio da Manhã, Gouveia e Melo seria mesmo demolidor: “O meu nome não é para andar a vender bilhetes (…) O convite foi para uma pequena tertúlia privada e, de repente, já estava transformada num grande evento com 80 pessoas a pagarem”. Ao que o Observador apurou já havia 110 inscrições o que, a 30 euros o jantar, fazia com que já tivessem sido adiantados cerca de 3.300 euros. Tudo isso desagradou ao almirante, que saltou fora do barco.

Zeferino Boal estava em Leipzig para assistir ao jogo do Sporting na Liga dos Campeões quando recebeu a notícia do cancelamento e ficou muito desagradado com a posição do almirante. O promotor do evento classificava horas depois, numa nota enviada aos inscritos, o cancelamento do almirante como “uma informação inqualificável e vinda sem respeitar por quem se envolve em atos de cidadania.” Para Boal a “atitude e comportamento do Almirante Gouveia e Melo demonstra a falta de palavra de honra e de compromisso, indigno de ocupar funções de Estado.” Ao Observador confessa: “Apoiava-o. E não vai contar mais com o meu apoio. Por quem tem estes comportamentos abusivos, não me vou envolver em nada”.

[Já saiu o sexto e último episódio de “A Caça ao Estripador de Lisboa”, o novo Podcast Plus do Observador que conta a conturbada investigação ao assassino em série que há 30 anos aterrorizou o país e desafiou a PJ. Uma história de pistas falsas, escutas surpreendentes e armadilhas perigosas. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro, aqui o quarto e aqui o quinto episódio]

Depois da primeira nota, Boal voltou à carga com um outro texto como o título “Gouveia e Melo Mente” para dizer que “neste evento as pessoas pagam o jantar e não o um bilhete para assistir a um espetáculo de circo.” Nestas iniciativas, lembrou o promotor, já participaram nos últimos sete anos figuras como Marques Mendes, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes e outras dezenas de convidados e, garante, “nunca nenhum orador cancelou!”. Os moldes dos jantares são sempre iguais, mediante pagamento prévio.

"Não nos deslumbramos ou ficamos assustados com flash mediático e quem não está preparado para combater que fique eternamente submerso"
Zeferino Boal, promotor das conferências "Pensar Alcochete"

Zeferino Boal diz que o grupo tem “credibilidade e não é uma personalidade que vai estragar os nossos propósitos de cidadania livre”. E acrescenta: “Não nos deslumbramos ou ficamos assustados com flash mediático e quem não está preparado para combater que fique eternamente submerso.” Ao Observador, o promotor diz que 50 pessoas já cancelaram (às quais vai ser devolvido o valor tendo já pedido o IBAN aos desistentes), mas que 60 vão reunir-se para confraternizar e debater — sem o almirante. O evento foi mais uma falsa partida.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

MAAP a caminho da dissolução

No início do ano um grupo de cidadãos, que inclui influentes maçons da Grande Loja Legal de Portugal, anunciaram, como o Observador dava conta, a criação de um movimento de apoio à candidatura do almirante que se chamava: “Movimento de Apoio Almirante à Presidência”. A associação foi constituída quinze depois, mas o almirante mostrou de imediato o seu desagrado.

José Manuel Anes, um dos promotores da iniciativa, decidiu então propor a dissolução do movimento: “Face aos últimos acontecimentos e ao desagrado manifestado pelo almirante Gouveia e Melo, decidi propor a dissolução do Movimento de Apoio ao Almirante a Presidente na Assembleia Geral prevista para dia 29 de janeiro”. Ao Observador, José Manuel Anes diz que a ideia é manter tudo calmo “até ele [Gouveia e Melo] anunciar a candidatura” e confirma que foi Gouveia e Melo que lhe pediu para dissolver o movimento: “Foi por sugestão dele que decidimos mandar aquilo tudo abaixo.” Ainda assim, diz que continua “amigo” do almirante e que tudo fará para o ajudar a ser eleito para Belém.

Um dos membros do movimento e ex-porta-voz do mesmo, António Brás Monteiro saiu do MAAP por não se rever em “polémicas” e a dizer que não tinha condições para continuar. Insiste, no entanto, que a decisão de dissolver a associação (proposta por José Manuel Anes) é dos “responsáveis” MAAP e não do almirante. António Brás Monteiro não está, no entanto, zangado e continua a apoiar o antigo Chefe do Estado-maior da Armada: “A minha saída do MAAP não altera a minha convicção de que o Almirante Gouveia e Melo é a melhor escolha para Portugal.” O movimento foi assim outra falsa partida e Gouveia e Melo quer manter distância da iniciativa.

Distância também dos partidos (onde já há pré-apoios declarados)

Desde que começaram os primeiros elogios do líder Chega que Henrique Gouveia e Melo deixou claro que a sua candidatura seria apartidária. O Chega já se descolou, mas há outros interessados. Apesar das manifestações de interesse, o almirante não quer ficar colado a nenhum partido, até porque faz de uma das forças  o facto de não ter uma preferência partidária. “Não sou político”, repete desde 2021 em entrevistas.

O primeiro partido a declarar o apoio a Henrique Gouveia e Melo foi um dos partidos da AD que elegeu Luís Montenegro: o PPM. O secretário-geral do partido, Paulo Estêvão, reiterou em declarações à Rádio Observador esta quinta-feira que “o almirante reúne as condições para o exercício da chefia do Estado: independência, isenção” e ser um garante de estabilidade. “Neste momento da vida política de desintegração do sistema político, em que não há maiorias absolutas, em que há quedas de governos, com instabilidade, temos de ter um chefe de Estado que tenha um peso político específico, independente de qualquer partido, com um prestígio que lhe permita exercer as funções de chefe de Estado”, acrescenta o secretário regional.

Paulo Estêvão confirma que Gouveia e Melo corresponde ao perfil, mas que não houve ainda qualquer conversa já que formalmente “o almirante Gouveia e Melo vai decidir se vai candidatar-se ou não. Ele decidirá quando bem entender. Se decidir mais tarde, é uma escolha dele. E nós compreendemos. Não necessita de estar no desgaste público”. Sobre um alegado desconforto por parte do parceiro de AD, o PSD, o secretário-geral do PPM lembra que ao contrário das legislativas nacionais, da região dos Açores e das europeias, “as presidenciais, tal como a região da Madeira, não fazem parte do acordo político“. Ou seja: há liberdade total para o PPM apoiar o almirante.

Henrique Gouveia e Melo vai fazer um esforço, no entanto, por não estar associado a qualquer partido — mesmo que não controle quem o apoie. Agora é tempo das alegadas férias, mas está longe de estar desligado do objetivo Belém. Ao que o Observador apurou, o almirante está neste momento a elaborar um plano — em que decide quem o apoia, os timings e a estrutura de campanha — para a eventual candidatura, sendo provável que anuncie uma decisão antes de março. Como não terá ajuda de partidos, precisa ainda de três ou quatro semanas para preparar o plano de ação. Que será de ataque, já que o próprio já disse: “Sou submarinista: só sei atacar.”

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.