Fernando Medina informou esta segunda-feira o líder do PS que não pretende integrar as listas de candidatos a deputados nas legislativas de maio. Promete manter “participação cívica ativa”, mas não na Assembleia da República, o que comunicou a Pedro Nuno Santos numa altura em que o líder socialista está a fechar as listas de candidatos.

De acordo com a nota enviada ao Observador, o ex-ministro explica o afastamento como “uma decisão de natureza pessoal, depois de vinte anos consecutivos” em que desempenhou “elevadas funções políticas” — como descreve o seu percurso nestes anos.

O socialista garante, no entanto, estar “totalmente empenhado na vitória do PS nas próximas eleições legislativas, pois só a vitória do PS assegurará um projeto político de desenvolvimento e justiça social capaz de responder às necessidades e aspirações dos portugueses”.

Recorde-se que Medina foi o único deputado socialista a fazer uma declaração de voto no dia em que o PS votou contra a moção de confiança de Luís Montenegro que resultou na queda do Governo. Na altura, o socialista  que se “devia ter feito mais para evitar” as legislativas antecipadas, sem apontar quem, e criticou um debate de “insinuações e até calúnias”, no atual momento político. O ex-governante quis, assim, marcar uma posição, depois de ter acompanhado a disciplina de voto da bancada do PS contra a moção de confiança.

Medina avisa para riscos de novas eleições e critica debate de “insinuações e até calúnias”

Fernando Medina estreou-se como governante em 2005, na maioria absoluta do PS sob a liderança de José Sócrates, como secretário do Emprego, tendo passado para a Secretaria de Estado da Indústria e Desenvolvimento no Governo seguinte, em 2009. Mais tarde seguiu para a Câmara de Lisboa, onde foi vice de António Costa, e acabou por suceder-lhe no cargo quando este foi eleito líder do PS, em 2014. Saiu da Câmara derrotado por Carlos Moedas, nas autárquicas de 2021, e poucos meses depois assistiu de fora à queda do Governo socialista. Após as eleições de 2022, Medina assumiu o cargo de ministro das Finanças.

No PS sempre foi visto como um rival de Pedro Nuno Santos, tendo apoiado a candidatura de José Luís Carneiro nas eleições diretas de 2023, após a queda de Costa. Ainda assim, nas legislativas seguintes concorreu como candidato a deputado, cargo que ocupava na legislatura que terminou na atual crise política.

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