Países da União Europeia demonstraram preocupação face às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre todas as importações e sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.

Berlim declarou, esta quinta-feira, apoio à União Europeia (UE) na procura de uma solução negociada com Washington sobre as novas tarifas anunciadas por Donald Trump, reiterando que a Europa está pronta para retaliar.

O vice-chanceler alemão, Robert Habeck, alertou que os novos impostos norte-americanos podem arrastar países para a recessão e causar danos consideráveis em todo o mundo.

“A força da Europa é a nossa força. Temos o maior mercado único do mundo. Devemos utilizar essa força”, disse, alertando que a “obsessão dos EUA com tarifas pode desencadear uma espiral que pode levar países à recessão e causar enormes danos por todo o mundo”.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai reunir-se esta quinta-feira com representantes das indústrias afetadas pelas medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos.

Na Polónia, o primeiro-ministro, Donald Tusk, afirmou hoje que são necessárias decisões adequadas. Numa mensagem difundida através das redes sociais, Tusk não especificou o tipo de medidas, mas referiu que “amizade significa parceria” e que “parceria significa tarifas verdadeiramente recíprocas”. Alertou ainda que são necessárias “decisões adequadas”.

A Dinamarca criticou também as novas tarifas. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Lokke Rasmussen, disse que a Europa deve permanecer unida e preparar respostas “sólidas” e proporcionais.

Na rede social X, o governante dinamarquês falou em “guerra comercial indesejada” onde fica comprometido “um comércio global que nos levou a um lugar melhor”.

“Ninguém é vencedor, todos perdem. Em vez de erguer muros, deveríamos derrubar barreiras”, desafiou, sublinhando que a Europa “permanecerá unida” e dará “respostas robustas e proporcionais”.

Na Irlanda, o primeiro-ministro, Michael Martin, afirmou hoje que lamenta profundamente as tarifas impostas à União Europeia e apelou a uma reposta “proporcionada” dos 27 Estados membros.

Na mesma linha, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que a introdução pelos Estados Unidos de direitos aduaneiros contra a União Europeia é uma medida errada.

Mesmo assim, Meloni declarou que pretende chegar a um acordo com os Estados Unidos, a fim de se evitar uma guerra comercial que enfraqueceria o que chamou “Ocidente” em benefício de outros atores mundiais.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou hoje que as novas taxas alfandegárias anunciadas pelo Presidente dos Estados Unidos constituem um “duro golpe” para a economia mundial.

Manifestando preocupação pela decisão, Ursula von der Leyen afirmou que os europeus estão prontos a reagir e que já estão a trabalhar num novo pacote de contramedidas, em caso de problemas no âmbito das negociações com a Administração norte-americana.

Em Londres, o secretário do Comércio britânico, Jonathan Reynolds, reconheceu em declarações à cadeia de televisão Sky News que os anúncios do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocam o Reino Unido numa posição relativamente melhor do que, por exemplo, os países da União Europeia.

O Reino Unido foi relativamente poupado por Donald Trump, com tarifas de 10%, o nível mais baixo anunciado, especialmente em comparação com a União Europeia (20%) e a China (34%).

Donald Trump lançou uma ofensiva comercial sob a forma de tarifas muito pesadas, nomeadamente contra países da Ásia e da União Europeia.

Os mercados financeiros registaram quedas uma vez que tanto os aliados tradicionais como os concorrentes dos Estados Unidos avisaram que estavam a preparar um contra-ataque.

A ofensiva protecionista de Washington, como não se via desde os anos 1930, inclui uma tarifa mínima adicional de 10% sobre todas as importações e sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.

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Espanha avança com plano de resposta a tarifas de Trump de 14 mil milhões de euros

O Governo espanhol anunciou um pacote de 14,1 mil milhões de euros em ajudas e incentivos a empresas para responder às tarifas comerciais norte-americanas e mitigar o seu impacto na economia do país.

O Plano de Resposta e Relançamento Comercial espanhol foi anunciado esta quinta-feira pelo primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, numa declaração em Madrid em que acusou o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ter iniciado uma guerra comercial “injusta e injustificada contra tudo e contra todos”, com base em argumentos falsos e que prejudicará também as empresas e os cidadãos norte-americanos.

Sánchez afirmou que as novas tarifas comerciais anunciadas por Trump na quarta-feira à noite são “um protecionismo estéril” e “não são recíprocas” porque a balança comercial entre a União Europeia e os EUA é bastante equilibrada e as taxas aplicadas pelo bloco europeu são, em realidade, de 3%.

O líder do Governo espanhol pediu à administração dos EUA que reconsidere e se sente a negociar com a União Europeia e o resto do mundo.

Por outro lado, em caso de que falhem as negociações, pediu à União Europeia uma resposta com “proporcionalidade e unidade”, lembrando que a UE é “o primeiro bloco comercial do mundo”.

Em concreto, pediu a Bruxelas um plano especial de ajudas públicas para setores potencialmente mais afetados pelas novas tarifas, através de um fundo financiado por taxas impostas a produtos norte-americanos e que se acelere o processo de ratificação do acordo comercial com os países da América do Sul que foram o Mercosul.

Sobre o Plano de Resposta e Relançamento Comercial espanhol, que garantiu que avança já esta quinta-feira, prevê fundos de apoio e linhas de financiamento para empresas cuja atividade e postos de trabalho podem ser afetados pelas tarifas norte-americanas e também para incentivar a criação e instalação de novas unidades industriais.

Entre outros aspetos, serão recanalizados fundos europeus do Programa de Recuperação e Resiliência espanhol para ajudas a setores como o do automóvel ou relacionados com a produção de automóveis.

Em relação à proteção de postos de trabalho, Sánchez comparou este Plano de Resposta e Relançamento Comercial a medidas tomadas durante crises como a da pandemia.

Trump anunciou na quarta-feira uma tarifa de base de 10% sobre todas as importações dos EUA, que aumenta em função das medidas pautais e não pautais. Entraram também em vigor tarifas de 25% sobre automóveis, camiões ligeiros e peças automóveis importados pelos EUA.