Meio segundo. Foi por meio segundo que João Almeida não ficou com a camisola amarela na etapa inaugural da primeira presença na Volta ao País Basco, nem mesmo por meio segundo deixou de começar com o tempo do líder Max Schachmann e a ganhar alguma distância (para alguns mínimos, para outros suficiente para dar margem de trabalho tático nas subidas) aos principais candidatos à classificação geral. O dia 1 correu bem à UAE Team Emirates apesar do contrarrelógio aquém do previsto de Brandon McNulty e o português deixava sinais de que poderia ser apenas o início de mais uma semana muito positiva na época, depois do segundo lugar na Volta à Comunidade Valenciana e na Volta ao Algarve e da sexta posição no Paris-Nice.

Só não foi perfeito por 54 centésimos: João Almeida estreia-se na Volta ao País Basco com segundo lugar no contrarrelógio

“Estou super contente, penso que hoje saí-me muito bem. Não tinha mais nada para dar quando cortei a linha de meta, o que é positivo. Foi uma pena ter ficado tão perto do primeiro lugar. Vamos ver se consigo, pelo menos, manter o segundo até ao final”, comentou João Almeida ao Eurosport depois do contrarrelógio curto de 16,5 quilómetros com passagem pelas ruas de Vitória. “Fui um pouco mais rápido do que queria no arranque mas como era um contrarrelógio mais curto não podia estar com grandes poupanças, depois já não se consegue recuperar. Mas fiquei feliz com as minhas sensações”, acrescentou o português.

Nem mesmo um pequeno imprevisto no dia da estreia condicionou João Almeida, que sofreu uma queda leve quando fazia o reconhecimento do percurso sem mazelas de maior. Apesar de correr com o dorsal número 1, ainda pela vitória do companheiro Juan Ayuso no ano passado, o corredor de A-dos-Francos sabia que este não era o tipo de percurso que o favorecesse mas o bom arranque poderia mudar essa ideia pela confiança que o resultado a abrir conferia. “Vamos para o País Basco com uma equipa muito forte. Será a primeira vez que corro aqui, então estou animado para competir. A paixão pelo ciclismo é algo especial no País Basco e os adeptos apoiam todo o pelotão. É uma corrida difícil mas temos uma equipa para o trabalho e cheia de opções, o que é uma vantagem. O percurso não é o ideal para mim mas farei o que puder”, tinha apontado ainda antes do arranque da Volta ao País Basco onde conta com adversários de peso como Enric Mas, Pello Bilbao, Santiago Buitrago, Matias Florian Lipowitz ou Aleksandr Vlasov, entre outros.

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Haverá duelos em subidas, mesmo que não tenham as características específicas que João Almeida mais gosta, mas esta segunda etapa seria sobretudo uma etapa para rodar ao longo de quase 200 quilómetros com apenas uma contagem e de terceira categoria, num desenho feito para uma chegada ao sprint a não ser que uma fuga conseguisse fintar o pelotão. Houve a ameaça numa altura em que alguma falta de entendimento na frente impediu a cadência de diminuição da distância para a frente, nunca esteve perto de passar a uma realidade e a única nota foi mesmo a queda já dentro dos últimos três quilómetros de alguns corredores, com Campenaerts a ser o mais afetado. No sprint, Caleb Ewan, da Ineos, levou a melhor com relativa facilidade, batendo Luca van Boven, Bastien Tronchon, Thibaud Gruel e Iúri Leitão, que fechou o top 5 da etapa.

Na classificação geral, tudo na mesma: Max Schachmann (Soudal Quick-Step) na liderança com o mesmo tempo de João Almeida, Florian Lipowitz (Red Bull-Bora) em terceiro a apenas um segundo, Ethan Hayter (Soudal Quick-Step) em quarto a seis segundos e Aleksandr Vlasov (Red Bull-Bora) quinto a dez segundos. Ilan van Wilder (Soudal Quick-Step, 11”), Victor Campenaerts (Visma–Lease a Bike, 12”), Mattias Skjelmose (Lidl–Trek, 12”), Bruno Armirail Decathlon–AG2R La Mondiale, 13”) e Michael Leonard (Ineos, 16”) fecham o top 10 da classificação geral, ficando por saber em que estado ficou Campenaerts após a queda.