Foi em Kursk, região russa que a Ucrânia atacou em agosto, que Oleh Shyriaiev, comandante do exército ucraniano, se confrontou pela primeira vez com soldados vindos da Coreia do Norte, que combatem juntamente com as forças russas desde o ano passado.
Numa entrevista à televisão norte-americana ABC News, Shyriaiev apontou uma ferocidade especial aos soldados enviados por Pyongyang nos combates militares, algo que conta ter sentido no combate direto. “Eles não se rendem“, garante, contando que nunca conseguiram levar nenhum como prisioneiro de guerra.
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“Não me lembro de nenhum caso em que tenhamos conseguido levá-los presos. Levámos alguns que já estavam feridos, mas penso que morreram devido aos ferimentos”, acrescentou, realçando depois aquilo que considera ser outros pontos fortes destes soldados.
“Estão mais preparados em termos físicos” e “são bons atiradores”, disse o comandante, destacando como os soldados “não tinham medo” de disparar contras os drones ucranianos usados nas manobras militares. “Não deixam os seus feridos para trás. Tentam sempre evacuá-los”, acrescentou ainda.
“Os coreanos são mais devotos e morrer heroicamente no campo de batalha é algo que os orgulha”, disse, contrastando com os russos que parecem ter sido enviados “sob ameaça de um chicote”.
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O envio de soldados norte-coreanos para a frente de batalha ocorreu depois de uma reaproximação de Moscovo a Pyongyang, marcada pela a primeira visita de Vladimir Putin ao país em 25 anos, em julho.
Antes de serem destacados na linha da frente, os soldados norte-coreanos receberam uma formação militar ainda em território russo. Porém, é nestes aspetos mais táticos e na experiência dos combatentes no terreno que os norte-coreanos se destacam pela negativa.
“Esta experiência não incluiu a utilização de veículos aéreos não-tripulados, não incluiu qualquer tipo de tática moderna”, levando a que os ucranianos passassem a chamar “ataques de carne para canhão” aos realizados por batalhões com soldados norte-coreanos.
Segundo fontes de Seul, citadas pela CNN, pelo menos quatro mil dos 11 mil soldados enviados por Pyongyang para combate ficaram feridos ou morreram. Já as informações militares britânicas, referidas pela ABC News, indica que cinco mil morreram ou foram feridos.
Face às taxas de mortalidade elevadas, o general conta que os norte-coreanos acabaram por se adaptar. Passaram a atacar em grupos pequenos e largando os ataques com companhias inteiras que até então eram a norma.
“Faziam estes ataques em pequenos grupos para não sofrerem perdas tão grandes de uma só vez“, disse, sublinhando que passaram a jogar como ponta de lança dos avanços russos, com “os russos (…) a assegurarem o terreno que os coreanos tomaram”.
Em resposta, as forças de Kiev também tiveram de reagir a esta mudança na estratégia. “É preciso criar obstáculos para eles. É preciso criar um campo minado,e os nossos homens precisam de ter confiança suficiente para entrar e acabar com eles depois de pisarem minas ou de serem atingidos por qualquer tipo de munições de artilharia que nos são fornecidas pelos nossos parceiros americanos”, contou.
Apesar dos elogios e das alegações que os soldados de Pyongyang estivessem a ser coagidos a combater, Shyriaiev diz que não tem piedade na linha da frente, quer seja um adversário russo ou norte-coreano.
“Não tenho pena de ninguém que esteja a fazer a guerra contra o meu país“, disse, rematando: “Os norte-coreanos são inimigos para mim e são inimigos do meu país”.