Uma “lavagem cerebral” que “faz com que continuem a avançar”, um “desejo de eliminar as provas da sua presença na zona de guerra” e uma absoluta “recusa de ser capturado vivo”.  Entrevistas com várias tropas ucranianas revelam pormenores sobre a forma como os norte-coreanos têm lutado desde que chegaram ao campo de batalha na região russa de Kursk, no mês passado, para combater contra a Ucrânia, reporta a Sky News.

Escreve o meio britânico que os soldados norte-coreanos revelam “uma aparente falta de consciência inicial sobre as ameaças dos drones e da artilharia, com os soldados a atacarem a pé”. “Parece algo saído da Segunda Guerra Mundial”, “em grupos de 20, 40 ou mesmo 60 homens, tornando-se alvos fáceis”, continua o mesmo jornal. Já os ucranianos com quem a CNN falou indicam que os norte-coreanos “insistem em ataques frontais, em massa, muitas vezes atingindo o mesmo local repetidamente”.

De acordo com os relatos, os soldados norte-coreanos também querem eliminar quaisquer provas da sua presença na zona de guerra, com militares a serem vistos a tentar recuperar os feridos e os mortos. Tanto a Sky News como a CNN citam testemunhos que dão conta que há norte-coreanos a fazer-se explodir com granadas para não correrem o risco de ser capturados. Um comandante, que usa o nome de código “Puls”, afirma que um norte-coreano foi ouvido a gritar “Pelo General Kim Jong Un” antes de detonar uma granada.

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Seul e Washington acreditam que o regime de Kim Jong-un enviou cerca de 11 mil soldados e oficiais para apoiar a Rússia na invasão à Ucrânia, mas nem Kim Jong-Un nem Vladimir Putin confirmaram a cooperação no campo de batalha.

Puls descreve diferenças na forma de lutar dos norte-coreanos, por oposição aos russos. “São muito mais disciplinados, com uma moral e uma determinação excecionais — na verdade, sofreram uma lavagem cerebral completa”, afirmou à Sky News.

O Instituto para o Estudo da Guerra acredita que todo o contingente da Coreia do Norte pode ser eliminado até abril, já que Pyongyang terá sofrido perdas pesadas no combate pela Rússia. No entanto, segundo Puls, as comunicações russas intercetadas parecem indicar que os soldados vão regressar. “Ainda estão presentes, a treinar ou à espera de reforços. Algo está a acontecer, eles voltarão em breve”, disse à Sky News.