À primeira vista, era uma eliminatória fechada. À segunda, uma noite mágica podia voltar a deixar tudo em aberto. Afinal, trata-se do Real Madrid e da Liga dos Campeões. A partida do Emirates, da primeira mão dos quartos de final, chegou com um resultado surpreendente, mas que só não foi mais expressivo por um tal de Thibaut Courtois transcendeu-se na baliza do campeão europeu (3-0). Assim, o Arsenal chegou a Espanha com três golos de vantagem e a saber que só seria eliminado se sofresse quatro. Na teoria, a missão não parecia complicada, por mérito total da equipa de Mikel Arteta, mas com os merengues nunca se sabe.
A equipa de Carlo Ancelotti chegou a este importante e decisivo jogo depois de levar a melhor na deslocação a casa do Alavés (1-0), num encontro em Kylian Mbappé foi expulso e Eduardo Camavinga foi decisivo, tudo na primeira parte. Esse encontro marcou o regresso de Dani Ceballos após lesão, com o técnico italiano a contar ainda com Aurélien Tchouaméni, que não foi utilizado em Inglaterra devido a acumulação de amarelos. Já os gunners vinham de um empate ante o Brentford (casa, 1-1), mas contavam com uma grande sequência de golos na prova milionária para eliminar o poderoso Real Madrid: os ingleses vinham de sete encontros seguidos a marcar.
“O Real Madrid tem todos os meios para dar a volta a esta eliminatória. Temos de dar o melhor de cada um de nós. Nos outros anos ninguém disse que jogámos um futebol espetacular, mas nós queremos ganhar. O que quero explicar aos jogadores é a clareza na estratégia de jogo. Se um jogador tem clareza, consegue ter um melhor desempenho individual. Ontem [segunda-feira] não disse nada de especial. Falei sobre o aspeto emocional, sobre como temos de viver a preparação para um jogo como este como profissionais. A motivação está lá. Quero que o jogador esteja preparado e tranquilo. O Arsenal é uma equipa muito bem organizada. Arteta trabalha com eles há muito tempo e estão muito concentrados no que têm de fazer e menos no ambiente exterior”, explicou Ancelotti na antevisão à partida.
“A nossa abordagem é ganhar. Tal como fizemos em Londres. O Real Madrid vai tentar levar-nos para sítios onde não queremos ir. Compreendo-o porque faz parte da história deles e têm o direito de falar sobre este tipo de cenários [de reviravolta]. Temos de mostrar a nossa mentalidade para ganhar. Temos de ser corajosos, dominantes e determinados. Precisamos de ter a convicção de que podemos ser melhores do que eles e ganhar o jogo. Quando se tem de criar uma história, em primeiro lugar é preciso estar entusiasmado. Os jogadores têm de estar preparados e é preciso estar realmente convencido do que se quer alcançar. O aspeto emocional é muito importante e tenho muita confiança no que a equipa fez ao longo da época, em contextos positivos e em contextos muito difíceis”, abordou Arteta.
???? | STARTING LINEUPS
It's all set for the #UCL spectacle at the Santiago Bernabéu! ????
Mikel Arteta made no changes to Arsenal's first-leg XI, while Lucas Vázquez and Aurélien Tchouaméni replace Luka Modrić and Eduardo Camavinga in Real Madrid's team.#RMAARS pic.twitter.com/KvfqtNdZ3U
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“A fábrica dos sonhos, fá-lo Real”. Foi desta forma que o topo sul do Bernabéu brindou os jogadores antes do apito inicial, apresentando o desenho de um tabuleiro de xadrez com as cores do Real Madrid e várias peças tombadas, alusivas aos adversários que os blancos deixaram pelo caminho. A peça do Arsenal apareceu nas mãos de um suposto rei. Dentro de campo, sem o expulso Camavinga, Fede Valverde regressou ao meio-campo e Lucas Vázquez e David Alaba ficaram com as laterais. Do outro lado, os ingleses mantiveram o onze da primeira mão, com Mikel Merino na frente do ataque.
Num início de jogo ao alcance dos melhores rasgos de Alfred Hitchcock, o Real Madrid introduziu a bola na baliza do Arsenal logo no segundo minutos, mas Mbappé estava em posição irregular aquando do cruzamento de Vinícius Jr. (2′). Pouco depois, os gunners começaram a aparecer com perigo na baliza adversária e Bukayo Saka obrigou Courtois a uma grande intervenção (7′). Na sequência de um canto, Raúl Asencio cometeu penálti e, na cobrança, Saka atirou para a direita, mas o guarda-redes belgas adivinhou o lado e voou para impedir o golo inaugural (13′). Os papéis inverteram-se e, dez minutos depois, Declan Rice agarrou Mbappé na sua área. Contudo, depois de ver as imagens do lance, François Letexier reverteu a decisão (23′).
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A partir daí, o jogo entrou numa fase mais morna, ainda que os ingleses tenham continuado a tentar ferir os espanhóis, que não tiveram qualquer oportunidade de golo em todo o primeiro tempo. A fechar o primeiro tempo, Gabriel Martinelli teve tempo e espaço para fazer balançar a rede, mas Courtois voltou a mostrar-se a grande nível e impediu o golo com os pés (45+5′). O nulo colocava os gunners praticamente com os dois pés nas meias-finais.
Na etapa complementar, o Real Madrid mostrou-se mais ofensivo, mas continuou sem conseguir chegar com perigo à baliza de David Raya, o que levou Ancelotti a fazer entrar Fran García, Endrick e Ceballos. Já com o trio em campo, os gunners aproveitaram o espaço concedido pelos merengues e, depois de a bola passar por Saka, Martin Odegaard e Rice, Merino recebeu e isolou Saka que, perante a saída de Courtous picou-lhe a bola para o 0-1 (65′). Ainda assim, a resposta foi imediata, com William Saliba a perder a bola em zona proibida para Vinícius que, com a baliza deserta, empatou o jogo (67′).
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Com a eliminatória resolvida, os últimos minutos serviram apenas para cumprir calendário, ainda que Odegaard (81′) e Brahim Díaz (90′) tivessem ficado perto de marcar. Já na compensação, Merino isolou Martinelli praticamente a meio-campo, o brasileiro conduziu até à área e não desperdiçou o golo da vitória, desferindo um remate colocado fora do alcance de Courtois (90+3′). Desta forma, o Arsenal está de regresso às meias-finais da Liga dos Campeões depois de 16 anos de ausência. Segue-se o PSG, nas meias-finais. O campeão europeu ficou pelo caminho nos quartos de final e, pela primeira vez desde 2020, vai falhar as meias-finais.
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