Inofensivo, capaz de preservar melhor o ADN e mais benéfico para a medicina e para a polícia científica. São os elogios que Andrea Fantozzi faz da “tanatopraxia”, o procedimento que será usado para conservar o corpo do Papa Francisco e que já foi usado com Bento XVI, João Paulo II, Pelé e Luciano Pavarotti.

“É um tratamento que permite um cuidado altamente higiénico, além de garantir uma aparência mais apresentável dos corpos”, disse o presidente do Instituto Italiano de Tanatopraxia à agência Ansa, por ocasião da morte de Joseph Ratzinger.

O procedimento, descreve o italiano, consiste em injetar um produto chamado Fluytan no sangue — mas também pode ser aplicado topicamente com uma esponja —, utilizado em vez do formol, que Fantozzi diz ter “características tóxicas e cancerígenas” e que era mais habitual nestes procedimentos. Desta forma, o aspeto é conservado e os efeitos da decomposição, como a deterioração e rigidez dos tecidos, são mitigados.

Ao velório com o caixão aberto dos Papas costumam afluir dezenas de milhares de fiéis, o que aumenta a preocupação com a conservação dos corpos. Além disso, o funeral só acontece quatro ou seis dias depois da morte (cinco, no caso de Francisco).

Uma multidão em silêncio no velório de Francisco. Horas na fila para breves segundos junto ao Papa

“Com o nosso novo sistema, que é completamente inofensivo, também conseguimos preservar melhor o ADN. Por isso, a tanatopraxia apresenta benefícios na área da medicina forense e da polícia científica”, acrescenta o especialista desta técnica que em Itália “ainda não tem reconhecimento legal”, apesar de ser utilizada com inúmeras celebridades.

O procedimento impede também a propagação do cheiro pútrido, a emissão de gases nocivos e a perda de fluídos. Há outros produtos que também retardam a destruição das células, como a formalina, mas Fantozzi alerta que a exposição a esses químicos pode aumentar o risco de cancro.

“De momento é apenas usado em casos excecionais. Trabalhamos muito, em particular, com estrangeiros que morrem em Itália e aguardam repatriação para os respetivos países”.