O Presidente dos EUA revelou esta quinta-feira que deu uma “entrevista” ao final do dia a Jeffrey Goldberg, o diretor da publicação norte-americana The Atlantic que foi adicionado a um grupo na plataforma de comunicação encriptada Signal e assistiu a uma conversa secreta entre altos dirigentes da Casa Branca onde foram discutidos planos detalhados de um ataque militar contra os houthis do Iémen.
Trump adiantou ainda o título da entrevista: “O Presidente Mais Consequente deste Século”. Esta informação ainda não foi confirmada pela revista — uma das publicações jornalísticas mais conceituadas dos Estados Unidos.
Para além de Jeffrey Goldberg, Donald Trump escreveu numa publicação na Truth Social que a entrevista foi igualmente conduzida pelos jornalistas Ashley Parker e Michael Scherer, que “também não são exatamente escritores pró-Trump, para dizer o mínimo”, afirma.
“A história que estão a escrever, segundo disseram aos meus representantes, vai intitular-se “O Presidente Mais Consequente deste Século”, continuou, questionando: “Serão eles capazes de escrever uma história justa sobre ‘TRUMP’? Do meu ponto de vista, o que pode ser tão mau? Eu ganhei!”.
“Estou a fazer esta entrevista por curiosidade, e como uma competição comigo mesmo, apenas para ver se é possível para a The Atlantic ser ‘verdadeira’“, afirmou Trump.
Os comentários de Trump surgem depois de no mês passado Jeffrey Goldberg ter publicado um artigo na Atlantic no qual revelava ter sido adicionado a um grupo secreto do Signal. Entre as mensagens, o Secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e outros altos funcionários norte-americanos discutiam os pormenores de um ataque iminente contra os Houthis. Apesar de vários membros do partido Democrata terem pedido a demissão de Hegseth, o secretário de Estado recusou quaisquer críticas e foi mesmo defendido por Trump, que afirmou serem “apenas fake news”.
Já esta quinta-feira, a Associated Press avançou que Pete Hegseth terá usado uma ligação “suja”, que liga o computador de trabalho à rede de internet geral, algo que expunha o computador a potenciais ameaças de ciberespionagem ou hacking dentro de um ambiente altamente protegido, para ultrapassar a segurança informática do Pentágono e instalar o Signal num computador do seu gabinete.
Hegseth usou ligação “suja” para aceder ao Signal no computador do Pentágono
Estas linhas são usadas pelo Pentágono para aceder a sites por norma bloqueados mas Hegseth terá usado a manobra para contactar com família e outros membros do Governo de forma mais fácil. A instalação da aplicação no computador servia para contornar a proibição de entrada de dispositivos móveis pessoais, como telemóveis e tablets que, por razões de segurança, não podem ser usados dentro do Pentágono.