A aliança entre a Coreia do Norte e a Rússia está cada vez mais firme. O regime liderado por Kim Jong-un enviou cerca de 15 mil trabalhadores para território russo, divulgaram esta segunda-feira as secretas sul-coreanas, citadas pelo Wall Street Journal.
Dispostos a trabalhar por um baixo salário e durante doze horas, os norte-coreanos trabalham essencialmente na indústria e na construção. Atualmente, a Rússia tem sofrido da falta de mão de obra, devido aos homens enviados para a linha da frente na Ucrânia e pelos desafios demográficos.
Os norte-coreanos servem para colmatar essas falhas. Neste momento, muitos estão nas províncias mais a leste da Rússia, onde a densidade populacional é muito baixa. Mas os líderes industriais russos esperam que cheguem mais a cidades grandes num futuro próximo.
Vários norte-coreanos trabalharam na Rússia e até na União Soviética. O regime de Kim Jong-un enviava mão de obra e fica com grande parte do seu salário — estima-se que os valores possam ultrapassar os 90%. No entanto, tendo em conta os baixos vencimentos que recebem os trabalhadores na Coreia do Norte, vários homens decidem ir na mesma trabalhar na Rússia — e até saem beneficiados.
Em 2019, uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas — de que a Rússia faz parte — obrigou a que todos os trabalhadores norte-coreanos deixassem de ser contratados por países estrangeiros como parte de um pacote de sanções. Isso teve um impacto na economia russa. Porém, após a invasão da Ucrânia e do isolamento de Moscovo no seio da comunidade internacional, voltou a surgir a possibilidade de contratar homens da Coreia do Norte.
Para apoiar o esforço de guerra de Moscovo em redor da província de Kursk, a Coreia do Norte enviou 12 mil soldados para a Rússia. Seria lógico, assim, que alguns homens também fossem enviados para a indústria e para a construção russa — e, para contornar as sanções em vigor, a Rússia emitiu a esses trabalhadores vistos de estudante.
Em declarações ao Wall Street Journal, Andrei Orlov, diretor de uma empresa de construção em Moscovo, recordou que, antes da decisão do Conselho de Segurança, recrutava norte-coreanos. Recentemente, voltou a contactar com o intermediário com o qual contratava os trabalhadores — e houve a possibilidade de recrutar 50 norte-coreanos. “Quanto mais melhor”, acredita o empresário.