Peter Sullivan tinha 30 anos quando foi condenado, no Reino Unido, pelo assassinato de Diane Sindall, de 21 anos, uma florista e empregada de bar que foi morta quando saía do trabalho em Bebington, Merseyside. Esta terça-feira, o homem, agora com 68 anos, foi libertado da prisão onde passou as últimas três décadas depois de um tribunal de recurso ter decidido que a sua condenação original apresentava fragilidades. O ADN recuperado no local de crime, que não tinha como ter sido testado na altura, não é, à luz da ciência atual, compatível com o de Sullivan.
No julgamento inicial foi alegado que, em agosto de 1986, o homem tinha passado o dia a beber álcool em grande quantidade e que, depois de ter perdido um jogo de dardos, saiu armado com um pé de cabra antes de um encontro casual que tinha marcado com a jovem de 21 anos.
Em relação à vítima, sabia-se, na altura, que a carrinha de florista de Diane Sindall se tinha avariado quando regressava a casa depois de um turno num bar e que ela se terá dirigido a uma bomba de gasolina para tentar resolver o problema. Foi nesse momento vítima de abusos sexuais e assassinada brutalmente. Segundo o The Guardian, o corpo da vítima foi deixado parcialmente despido e mutilado.
Na época do homicídio de Diane, os testes de ADN estavam ainda em fase inicial e não foi possível produzir a prova que poderia ter sido vital para a inocência de Sullivan.
Imagem de Diane Sindall divulgada pela Polícia de Merseyside
“Estou simplesmente ansioso por voltar para junto dos meus entes queridos e da minha família, pois tenho de aproveitar ao máximo o que resta da existência que me foi concedida neste mundo“, afirmou Sullivan numa declaração lida em seu nome pela sua advogada Sarah Myatt, à porta do tribunal.
Lamenta ainda “que não seja dado um prazo para a resolução dos erros” que foram cometidos na sua condenação. Mas garante: “Estou zangado, não estou amargurado.”
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Em junho de 2023, a polícia de Merseyside reabriu a investigação sobre o assassinato, após notificação da Comissão de Revisão de Casos Criminais (CCRC), que durante um processo de revisão percebeu que o DNA recuperado na cena não era compatível com Peter Sullivan.
“Os nossos pensamentos continuam com a família e os amigos de Diane Sindall, que continuam a chorar a sua perda e terão de suportar as implicações deste novo acontecimento, tantos anos após o seu assassínio”, disse a superintendente-chefe Karen Jaundrill , num comunicado publicado no site da polícia.
Jaundrill garantiu ainda que a polícia britânica está empenhada em “fazer tudo o que estiver ao seu alcance para descobrir a quem pertence o ADN que foi deixado no local do crime”. “Infelizmente, não há correspondência com o ADN identificado na base de dados nacional de ADN”, assumiu.
“Acreditamos que há pessoas que têm informações, ou suspeitas, sobre o assassínio de Diane em 1986 e gostaria de apelar a essas pessoas para que se apresentem, pois as informações que têm podem ser fundamentais para descobrir a quem pertence o ADN”, apelou.