O suspeito de assaltar a secretaria-geral do Ministério da Administração Interna confessou esta quinta-feira, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, os atos descritos na acusação, mas defendeu que “não sabia” que o edifício pertencia à República Portuguesa. A procuradora do Ministério Público pediu a condenação a pena efetiva por dois crimes de furto qualificado.
Na primeira sessão do julgamento, o homem disse que consumia cocaína e vivia na rua, depois de ter saído de duas associações onde dormia por lhe terem sido roubados bens.
O arguido relata que, após ter trabalhado na construção civil, passou para uma situação socialmente vulnerável e mostrou-se “sinceramente arrependido” pelo assalto à secretaria-geral do MAI, frisando que desconhecia a propriedade do edifício e acrescenta que, “por respeito”, não o faria se soubesse que o prédio era do ministério. No dia do assalto, a 28 de agosto de 2024, o homem aproveitou-se dos andaimes instalados no edifício para concretizar o furto.
No seguimento, partiu um vidro de uma sala de reuniões, entrou e retirou bens: um portátil do então secretário-geral da Administração Interna, Marcelo Mendonça de Carvalho, outro da secretária-geral adjunta da Administração Interna, Teresa Costa, e mais oito computadores.
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Na posse dos dispositivos, o arguido foi para o Largo de São Domingos, na freguesia de Arroios, onde vendeu os bens roubados.
Face à confissão do arguido, a procuradora pede a condenação a pena efetiva “por dois crimes de furto qualificado”, lembrando condenações anteriores em França, onde esteve emigrado, “por crimes contra o património”. Assinala a procuradora que “foi condenado a penas de prisão efetivas” e “não reverteu o seu caminho”.
O segundo crime de furto qualificado do qual está acusado diz respeito a um assalto que ocorreu em julho do mesmo ano, num Alojamento Local de onde o arguido levou um microondas e outros materiais. A leitura da sentença ficou marcada para dia 30 de junho.
O arguido, nascido na Covilhã, vivia em Portugal desde fevereiro do ano passado, quando regressou de França, para onde tinha emigrado aos 18 anos. Depois de vários anos a trabalhar na área da manutenção, chegou a ser condenado nesse país antes de vir para Lisboa.