A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve onze suspeitos — sete homens e quatro mulheres — que vestiam batas brancas como disfarce para roubar casas de idosos. Os detidos, todos da mesma família, passavam por profissionais de saúde para ganhar confiança das vítimas.

Em comunicado, enviado na manhã desta quinta-feira às redações, a PSP adiantou a detenção de nove suspeitos, no entanto, pelas 15h30 desta quinta-feira foi intercetado em Viana do Castelo mais um homem que estaria integrado neste grupo criminoso, confirmou ao Observador a Comissário Filipa Madruga. Na manhã de sexta-feira, outra mulher entregou-se também no município minhoto.

Ouvidos no Tribunal de Sintra, os nove primeiros detidos ficaram com a medida de coação mais gravosa: prisão preventiva. Os últimos detidos, uma vez que serão presentes a juiz no mesmo tribunal e não foram intercetados perto de Lisboa, só serão ouvido esta sexta-feira.

As vítimas, assim como as residências, eram escolhidas a dedo pelo grupo altamente estruturado. Faziam um reconhecimento prévio dos locais e procuravam zonas com muitos idosos e fáceis acessos, para facilitar a fuga.

Assim que definiam um alvo, a missão passava por começar a ganhar a confiança dos idosos, objetivo facilitado pela ‘autoridade’ conferida pela bata branca, com a qual alegavam ser prestadores de cuidados médicos ou sociais. As perguntas simples — como “tudo bem consigo”, “como está a sua medicação” — permitiam alguma proximidade e traduziam-se em autorizações para entrarem na casa das vítimas.

Uma vez na casa das pessoas, sem que elas se apercebessem, procuravam dinheiro, ouro e joias, sendo que rapidamente conseguiam vender os artigos roubados para ‘branquear’ o lucro que era, depois, dividido por todos.

Uma das idosas assaltada contou à polícia que se viu obrigada a socorrer de um empréstimo para fazer face a despesas diárias, depois de ter sido roubada.

A maioria das vítimas não se apercebia dos assaltos e só o constatava quando, em conversa com polícias de proximidade, relatava esse contacto estranho com pessoas de bata. Alertadas pela PSP, que desconfiava desta atuação, verificavam as poupanças de uma vida e encontravam-nas vazias.

Os relatos foram-se sucedendo e a polícia começou, em janeiro deste ano, a colocar em marcha a operação Bata Branca, que culminou em dez detenções em 48 horas. Os detidos têm idades compreendidas entre os 20 e os 56 anos.

Entre segunda e quarta-feira a PSP cumpriu 17 mandados de busca, realizados em vários pontos do concelho de Sintra e zonas envolventes.

Carros apreendidos nas buscas da Operação Bata Branca

Além de oito carros “de gama média/alta”, a PSP apreendeu mais de 130 mil euros em dinheiro, mais de 200 peças em ouro — muitas, como alianças, com forte valor sentimental —, uma arma de fogo e 41 munições. Foram ainda apreendidos adereços utilizados na prática dos crimes, como batas brancas, identificações falsas e blocos de notas.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]