O primeiro-ministro dos Países Baixos, Dick Schoof, confirmou nesta terça-feira que vai demitir-se, uma decisão tomada depois de Geert Wilders, o polémico líder do Partido pela Liberdade (PVV na sigla original) conhecido pelas suas opiniões críticas do Islão e anti-imigração, ter anunciado que vai romper com a coligação governativa.

O anúncio de Wilders, feito esta terça-feira através de uma publicação na rede social X, surge depois de Wilders não ter conseguido a aprovação por parte dos parceiros de um plano anti-imigração que tem vindo a ser negociado. “Não há acordo para o nosso plano de asilo (…). O PVV abandona a coligação”, escreveu.

Wilders já tinha avisado que se esse plano não fosse bem acolhido iria abandonar a coligação governativa, o que provavelmente fará cair o governo holandês. O líder do partido de extrema-direita referia-se ao programa que tinha apresentado e que visava reforçar a política em relação aos imigrantes e aos requerentes de asilo.

A coligação governamental dos Países Baixos, formada por quatro partidos políticos, liderada pelo primeiro-ministro, Dick Schoof, foi constituída há 11 meses. A expectativa é que esta decisão leve à marcação de novas eleições antecipadas na quinta maior economia da zona euro, o que poderá adiar decisões importantes sobre as metas de investimento em defesa. Será, assim, um governo de gestão que irá receber uma cimeira da NATO, no final deste mês, para se falar sobre as metas de investimento nessa área.

Pelas 15h00 desta terça-feira (hora de Lisboa), o primeiro-ministro holandês confirmou que irá entregar carta de demissão ao rei – o que torna praticamente uma certeza que os Países Baixos vão novamente a eleições.

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Dick Schoof pediu a demissão do cargo de primeiro-ministro, como se esperava.

Outros partidos da coligação acusam Wilders de “irresponsabilidade”

Outros partidos da coligação que suporta o governo já vieram acusar Wilders de “irresponsabilidade” por levar à provável queda do governo nesta fase. “Isto é inacreditável, é uma irresponsabilidade deitar o governo abaixo neste momento”, afirmou Nicolien van Vroonhoven, do centrista NSC.

Na mesma linha, Dilan Yesilgoz, líder dos conservadores do VDD, afirma que esta decisão faz o governo de coligação “parecer um bando de idiotas”. “Temos uma guerra em curso no nosso continente e, em vez de corresponder ao desafio, Wilders está a mostrar que não é capaz de assumir responsabilidades”, afirmou.

A agência Reuters afirma que, embora não seja provável, os partidos restantes podem formar um governo minoritário. Mas o cenário mais provável é a realização de novas eleições – Wilders venceu as últimas, porém, as sondagens indicam que tem perdido popularidade no último ano.

Países Baixos. O partido de um homem só chegou ao poder, mas o líder Wilders tenta controlar o governo de fora

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