Teve o primeiro remate com perigo de Portugal após assistência de Pedro Neto para defesa segura de Ter Stegen, teve outra tentativa ainda antes do intervalo que desviou num adversário mas acabou por não dar canto, iniciou o segundo tempo com um lance em que chegou ligeiramente atrasado no segundo poste a um cruzamento de Nuno Mendes que não permitiu mais do que um desvio ao lado. Cristiano Ronaldo tentava a todo o custo voltar aos golos pela Seleção e essa insistência acabou mesmo por ser recompensada a meio da etapa complementar, com mais um momento decisivo a dar a vitória a Portugal frente à Alemanha.

Goste-se ou não, a noite das facas longas ainda vai ter de esperar (a crónica do Alemanha-Portugal)

Aos 40 anos, o avançado do Al Nassr, que está agora a negociar a renovação de contrato com os sauditas, Ronaldo chegou aos 937 golos na carreira, ficando agora a 63 de um objetivo que por mais impossível que possa parecer está sempre a ficar mais perto, e aos 137 por Portugal, reforçando um recorde que há muito lhe pertence depois de ter superado o registo do iraniano Ali Daei. Ainda assim, e numa carreira que já alcançou quase tudo a não ser um Campeonato do Mundo de seleções, o capitão da Seleção conseguiu superar outra barreira ainda por ultrapassar – vencer pela primeira vez a Alemanha após cinco derrotas seguidas.

Não foi a primeira vez que o avançado marcou à Mannschaft, depois do golo marcado no desaire por 4-2 na fase final do Euro-2020 também em Munique, também não foi a primeira vez que Portugal conseguiu marcar dois golos em território germânico, foi sim a primeira ocasião em que a Seleção conseguiu um triunfo com reviravolta diante da Alemanha, depois do triunfo pela margem mínima em 1985 com aquele fantástico remate de Carlos Manuel que colocou de forma surpreender o conjunto nacional no Campeonato do Mundo. Mais: Portugal nunca tinha alcançado uma remontada diante de uma seleção de topo jogando fora, depois das duas noites históricas frente à Inglaterra no Europeu de 2000 e aos Países Baixos no Europeu de 2012.

Há ainda um dado curioso em relação aos números de Cristiano Ronaldo, apontado pelo Playmakerstats: contando apenas com os golos que marcou por Portugal depois de fazer 30 anos, o avançado seria o sexto maior goleador por seleções com 85 golos desde 2015, apenas atrás de Lionel Messi (Argentina, 112), Ali Daei (Irão, 108), Sunil Chhetri (Índia, 95), Mokhtar Dahari (Malásia, 89) e Romelu Lukaku (Bélgica, 88). Tudo numa altura em que o Al Nassr tenta esticar a proposta de renovação apresentada, neste caso com o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita a manter uma oferta dentro dos valores auferidos pelo avançado mas com poderes reforçados na equipa, nomeadamente a possibilidade de ter poder de escolha no clube.

Desta forma, Portugal conseguiu regressar à decisão da Liga das Nações, ficando agora à espera do vencedor do encontro entre Espanha e França, em Estugarda. Para já, sobra apenas uma certeza: haverá sempre uma seleção a conquistar pela segunda vez o troféu, por serem três dos antigos campeões da prova.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]