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Um grupo de cinco manifestantes acusou, esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e a União Europeia de serem “culpados de genocídio”, durante a participação do governante na conferência “40 Anos de Portugal na União Europeia: O Legado de Mário Soares e os Desafios do Futuro”, na Feira do Livro em Lisboa.
Os cinco jovens presentes na manifestação — organizada pelos movimentos Climáximo e Greve Climática Estudantil — irromperam no recinto com cartazes em que se lia “Rangel culpado de genocídio”, “UE culpada de genocídio“, “Para de consentir, começa a agir”, empunhando uma bandeira da Palestina. Algumas dezenas de pessoas, que se aproximaram do local, aplaudiram a ação e gritaram também “Palestina Livre”.
Elementos da polícia e seguranças retiraram os manifestantes do auditório, mas estes continuaram o protesto no exterior, antes de dispersarem. “Tanto o ministro dos Negócios Estrangeiros como a União Europeia estão a ser cúmplices do genocídio que está a decorrer neste momento em Gaza. Nós viemos aqui para culpabilizá-los pela fome, pela miséria, pelas mortes que estão a acontecer neste momento na Faixa de Gaza e dizer que não aceitamos este sistema que promove genocídio, colonialismo, a guerra e o colapso climático”, disse uma das manifestantes.
“Fazemos nossas as palavras de Greta Thunberg, uma das tripulantes do barco, ao afirmar que não pode haver justiça climática em terra ocupada e que não pode haver justiça climática sem justiça social. A luta pelo clima e pela vida é indissociável pela luta pelas pessoas, pela Humanidade, justiça e dignidade. Não vamos parar até que a Palestina seja livre e que este sistema fóssil seja desmantelado”, acrescentou também Filipe Antunes, estudante universitário do coletivo Greve Climática Estudantil.
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Em comunicado, os coletivos evidenciam que “Israel, os Estados Unidos e a União Europeia são culpados pela morte de dezenas de milhares de crianças, homens e mulheres palestinianos à morte, alimentando um genocídio que está a ser livestreamed [transmitido ao vivo]”.
Os manifestantes apelaram, ainda, à população portuguesa para se juntar ao protesto. “Enquanto as pessoas comuns continuarem a consentir com esta violência, eles vão continuar a, um pouco por todo o mundo, investir na guerra, nas fronteiras, no colapso climático, e na destruição. Temos de parar de aceitar este sistema e tomar ação conjunta, agora”.
“O vosso silêncio é cúmplice do genocídio”, comentou um dos manifestantes, prometendo que não vão parar “até que a Palestina seja livre”.
Manifestação é compreensível perante “catástrofe humanitária”, diz Rangel
O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que compreende a manifestação de jovens em defesa da Palestina, perante a “catástrofe humanitária” da guerra em Gaza, rejeitando as acusações de genocídio.
“Há uma coisa que eu compreendo: perante a catástrofe que está em causa, é natural que pessoas, jovens e mais velhos, se levantem desta forma. Isso não acho extraordinário, acho natural e não acho sequer censurável. Acho que faz parte da liberdade de manifestação”, comentou Paulo Rangel, no início da sua intervenção na conferência na Feira do Livro, em Lisboa.
“É até compreensível, dada a catástrofe humanitária que está em curso”, comentou ainda.