Acompanhe neste artigo em direto as notícias sobre os ataques entre Israel e Irão.

Vitor Vicente, escritor português que chegou esta semana a Israel, enfrenta o “medo” que lhe é causado pelos ataques deste sábado do Irão abrigado num bunker em Jerusalém, a partir de onde falou com a Rádio Observador. Destacou o desconhecimento do poderio militar de Irão como principal fator de alarme.

“A situação está preocupante porque o número de mísseis continua a aumentar. Penso que o primeiro foi enviado há cerca de uma hora e tem sido um atrás do outro”, descreveu.

“Há medo por não sabermos o poder militar do Irão”

No Médio Oriente para participar num evento cultural, relata que a “muralha tremenda” e “praticamente impossível de furar” de Israel dá alguma tranquilidade a quem está em território israelita, apesar de o principal receio residir no desconhecimento que há das “capacidades militares do Irão”.

O ataque iraniano chegou este sábado, em três vagas, como resposta aos ataques de Israel na madrugada de sexta-feira e já fez, até às 22ho0 portuguesas, 40 feridos (dois deles em estado crítico). Apesar da ofensiva agressiva, Vitor Vicente revela que ainda não ouviu nenhum míssil em Jerusalém.

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“Eu ouvi uma conversa entre duas pessoas que estão no bunker comigo a dizer que escutaram qualquer coisa. Eu não ouvi nada. Penso que a maior parte das explosões terão acontecido mais perto de Telavive. (…) Houve um míssil que atingiu a população, mas felizmente isso costuma ser a exceção”, detalha.

Desde que começaram a soar os alarmes em Israel que poucas pessoas se atrevem a caminhar na rua, estando “a grande maioria em abrigos”, quer nos seus prédios, quer, como no caso do português, nos bunkers onde ficam “tipo latas de sardinhas”. “Mas sempre é melhor do que estarmos expostos aos mísseis”, confessa.

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Mesmo abrigados, tentam manter-se atualizados quanto ao conflito através de aplicações recomendadas pelo governo de Israel, que permitem aos cidadãos “perceber quando vai ser enviado o próximo míssil”. “Se tudo correr bem, o aviso é partilhado com cerca de cinco a dez minutos de antecedência, o que deve ser suficiente para uma pessoa com mobilidade razoável chegar ao bunker e estar devidamente protegida. O governo israelita tem sido exemplar, usa esses bunkers para que as pessoas saiam ilesas”.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 4.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]

A preparação dos cidadãos para estes cenários — feita pelo governo “da melhor maneira possível” — contribui para a tranquilidade em Israel, entende Vitor. O português admite alguma “familiaridade” com a situação porque tem “muitos amigos a morar” em Telavive e vê “diariamente” as publicações nas redes sociais onde estas medidas surgem recorrentemente.

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Os contactos com as autoridades portuguesas têm sido “impecáveis”, revela o português que, apesar de residir na Irlanda, já se registou como português em Israel para receber o apoio do Estado. “Vamos ver o que podem fazer por nós. Até à data o espaço aéreo está encerrado para voos comerciais, mas talvez haja alternativa que não seja com voos comerciais. Vamos aguardar com muita… ou alguma ansiedade”.