O PS de Benavente participou no dia 10 de Junho numa manifestação organizada em Samora Correia com o lema “Pelas tradições e costumes” para criticar a intenção de uma associação em construir uma mesquita na freguesia. Figuras do partido como João Costa, ex-ministro da Educação, e Miguel Prata Roque já vieram criticar a a participação daquela estrutura do PS neste protesto, organizado por um antigo militante do Chega.
A convocatória de Rúben Vicente, organizador desta manifestação, garantia que o protesto era “uma ação popular, não partidária. No entanto, na faixa que encabeçava o protesto era visível pelo menos uma bandeira do Chega, para além de várias bandeiras nacionais, enquanto se ouviam gritos de ordem como “Samora sim, mesquita não”. Em causa está a compra de um terreno com 4 mil metros quadrados que foi adquirido pela Associação Ahmadia do Islão, que quer instalar naquele local a sede nacional.
O jornal O Mirante dá conta de que entre as duas centenas de pessoas na manifestação estavam dirigentes locais do Chega, do PSD, do CDS e do Partido Socialista. A Câmara de Benavente, liderada por Carlos Coutinho, da CDU, que cumpre o último mandato, assegura ao mesmo jornal que não há nenhum projeto que tenha dado entrada na autarquia para a construção de uma mesquita.
Nos últimos dias, Miguel Prata Roque e João Costa, ex-ministro da Educação, partilharam um print de uma publicação do PS/Benavente, entretanto apagada, que dava conta da participação dos dirigentes locais e candidatos autárquicos na manifestação. Aliás, João Costa diz que o seu apoio a um secretário-geral do PS está dependente do “repudio inequívoco” desta postura do PS de Benavente.
Apesar dessa publicação ter sido apagada, dias antes da manifestação, o candidato socialista à Câmara Municipal de Benavente, Pedro Gameiro, publicava um vídeo a manifestar-se contra a construção da mesquita e a dar conta de que o PS tem, para aquele local, um projeto para a construção de um parque urbano. Nesse vídeo, Pedro Gameiro diz que “o PS denunciou a situação a 28 de abril na Assembleia Municipal” e que “a mesquita não se fará aqui nem em lado nenhum do concelho”, garantindo a presença na manifestação de 10 de junho.
Já esta segunda-feira, nas redes sociais, o PS local publicou um comunicado em jeito de “primeiro projeto autárquico”, o parque urbano para o terreno em que a associação islâmica quer construir a mesquita. Nessa publicação, o PS assegura que “nada move [o PS] contra qualquer confissão religiosa que respeite a ordem constitucional” e que “tal como todo o Partido Socialista, temos um compromisso sem reservas com o pluralismo cultural, a liberdade religiosa e de culto e com dignidade de todas as comunidades”.
A distrital de Santarém do PS não se pronuncia publicamente sobre o assunto mas o Observador sabe que a presença na manifestação caiu mal junto dos dirigentes distritais — e que o assunto chegou à direção nacional –, e que foi pedido à concelhia para salvaguardar o posicionamento do PS quanto ao respeito pela liberdade religiosa.
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PSD também marca presença e também é contra a mesquita
Além do PS, também o PSD local tem criticado a construção de uma mesquita e a candidata à Câmara Municipal, Sónia Ferreira, que também esteve na manifestação, publicou um vídeo em que diz que “nem Samora Correia nem o concelho de Benavente necessitam de uma mesquita”. “Não concordamos, não queremos e não apoiamos”, justificando a opção com a proximidade aos bombeiros voluntários que “não devem ter nas proximidades equipamentos que aumentem o fluxo de trânsito”.
Ao Observador, fontes distritais do PSD indicam que a presença na manifestação foi feita “em defesa da cultura e das tradições do Ribatejo” ainda que a manifestação tenha sido “aproveitada pelo Chega”, lamenta-se.
Já o Chega de Benavente declara “missão cumprida” com a atenção mediática que a manifestação teve e com as posições assumidas pelo PS e PSD locais. Também num vídeo publicado nas redes sociais, o candidato do Chega, Frederico Antunes, mostra-se satisfeito por Pedro Gameiro e Sónia Ferreira se terem juntado ao protesto. Nas últimas eleições autárquicas, em 2021, a CDU venceu com mais de 32% dos votos, deixando o PSD e o CDS em 2º lugar com 25%, o PS em 3º com 18% e o Chega em 4º com
O que é a Associação Ahmadia do Islão
Fundada na Índia em 1889, o fundador, Mirza, dizia ser o Messias prometido pelo profeta Maomé. Em Portugal há 35 anos, a Associação Ahmadia do Islão quer construir a sede nacional em Samora Correia e apresentará o projeto de construção da mesquita apenas depois das eleições autárquicas, para que possa discutir o dossier com um novo executivo em funções.
À Rádio Marinhais, Fazhad Amhal, o líder da Associação Ahmadia, confirmou que existiram conversas com a Câmara Municipal que terá dito que “não existe uma representação da comunidade suficientemente representativa para justificar a construção da mesquita”.
Já quanto aos protestos, Amhal lamenta “o tom dos comentários, com discurso de ódio, racismo e preconceito” e fala num “medo infundado” garantindo que o edifício não terá impacto negativo na população. “A vida continuará normal”, garante.