As autoridades francesas revelaram que 145 pessoas em todo o país, incluindo 13 em Paris, denunciaram ter sido picadas com agulhas num festival anual de música que decorre a nível nacional: a Fête de la Musique. Os alegados ataques decorreram este sábado, e as queixas culminaram na detenção de pelos menos doze pessoas, que o Le Parisiense indica serem homens.

A informação foi tornada pública no domingo pelo Ministério da Administração Interna. “Algumas vítimas foram levadas a hospitais para serem submetidas a análises toxicológicas “, acrescentou o Ministério francês.

Em Paris, três investigações foram abertas depois de uma rapariga de 15 anos, um jovem de 18 anos e uma mulher relatarem ter sido picados, informou o Le Monde. Todos estavam em localizações diferentes da capital, mas os três participavam nos eventos de música espalhados por Paris. De acordo com o jornal francês, as três vítimas adoeceram depois de serem injetados sem consentimento.

Na cidade de Angoulême, no sudoeste de França e a cerca de 450 quilómetros de Paris, quatro pessoas foram presas. Fontes policiais acreditam que estes suspeitos tenham causado cerca de 5o vítimas de picadas com seringas, também no contexto de festivais de música ao ar livre.

As autoridades francesas não confirmaram, até agora, que estejam em causa picadas com seringas que contêm drogas de violação, como o Rohypnol ou o GHB, utilizadas por agressores para deixar as vítimas confusas ou inconscientes e vulneráveis a agressões sexuais.

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Os apelos para “picar mulheres” através do Snapchat e o código proposto para pedir ajuda

Antes de milhões de pessoas saírem para as ruas de França, no sábado à noite, para a Fête de la Musique, a influencer e ativista feminista francesa Abrège Soeur avisou online, através do Instagram, que tinham sido feitos diversos apelos nas redes sociais para que mulheres fossem atacadas com seringas naquele festival.

“Todos os anos, indivíduos mal intencionados ameaçam a segurança em grandes eventos. Este ano, estão a circular no Snapchat apelos para picar as pessoas com seringas contaminadas”, escreveu num post na rede social, em que partilhou algumas capturas de ecrã deste suposto movimento de agressores.

“Os homens estão a planear atacar e picar mulheres durante a Fête de la Musique, a 21 de junho”, lê-se noutra publicação de alerta, divulgada na sexta-feira, em que a ativista propõe um “código de alerta para proteger as mulheres”.

“Se estiveres em perigo, ou achares que alguém parece estar em perigo, aproxima-te da pessoa e pergunta-lhe: ‘De onde vem o seu top?’. Se ela responder ‘H&M’, significa que precisa de ajuda”.

Apesar do alerta prévio, feito devido a ameaças a circular nas redes sociais, bem como das denúncias posteriores às picadas, a prova toxicológica necessária para provar este tipo de crimes é complexa, destaca o Le Monde.

As vítimas percebem que foram atingidas, muitas vezes porque encontram marcas de agulha na perna, no braço ou no pescoço durante, ou após, um festival ou saída à noite. Outras não se apercebem que foram picadas, ou a marca não é sequer visível, mas descobrem que foram injetadas com alguma substância devido a sintomas como tonturas, náuseas e desconforto.

Para lá da dificuldade em identificar os sinais de uma injeção não consentida, as análises necessárias para encontrar substâncias tóxicas são também dificultadas pelas restrições de tempo. Algumas substâncias — em particular o GHB — desaparecem do corpo em poucas horas, principalmente se a pessoa suar ou urinar.

Pode dar-se ainda o caso de as substâncias injetadas, como a insulina e a adrenalina, não serem sequer detetáveis por já estarem naturalmente presentes no sistema de um ser humano.