A Polícia Judiciária lançou uma operação, na manhã desta quarta-feira, tendo detido mais de 45 pessoas, suspeitas de terem desviado centenas de milhares de euros de prestações sociais, nomeadamente reformas de pensionistas, avançou a CNN e confirmou o Observador. O grupo criminoso acedia de forma ilegal às contas dos pensionistas na Segurança Social Direta e alterava os números das contas de destino. Foram identificadas já mais de 500 vítimas.

“Há aqui várias perspetivas e linhas de investigação que nós não podemos desprezar, porque é preciso perceber se estes dados foram colhidos junto das vítimas, se estes dados saíram, eventualmente, de um compromisso interno, ou, naturalmente, não desprezamos de igual forma, que tenha havido um ciberataque sobre as infraestruturas da Segurança Social e que uma base de dados com usernames e com passwords pudessem ter sido expostas na internet ou na dark web”, disse aos jornalistas, durante a tarde desta quarta-feira, o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica (UNC3T), Carlos Cabreiro.

“As investigações prosseguem e tencionamos, provavelmente, no próximo dia, nas próximas horas, avançar com mais detenções”, assumiu ainda UNC3T, revelando que foram identificados oito grupos, todos com relação entre si através de alguns dos seus membros.

A PJ foi alertada para o esquema criminoso pelo próprio Instituto da Segurança Social, que detetou acessos ilegais à plataforma que gere os pagamentos de prestações sociais. Os suspeitos entravam nas contas e trocavam as contas bancárias — nas quais as pessoas recebiam mensalmente as prestações sociais – para contas tituladas por testas de ferro. Em causa está o desvio de pensões de velhice, subsídios de desemprego, subsídios de doença, rendimento social de inserção e abonos de família.

“Há um conjunto de indivíduos que lideravam estes grupos, que tinham conhecimento dos dados que motivavam a alteração na Segurança Social e iam procurar as chamadas money mules, que disponibilizavam o dinheiro. E o contacto direto que era feito entre os líderes destes grupos era com estas pessoas que se disponibilizavam a receber o dinheiro. A interligação era feita entre os chamados angariadores de cada um dos grupos, para um bolo comum, digamos assim”, explicou Carlos Cabreiro.

No decurso da operação “Constelações”, que já decorre desde junho de 2024, foram realizadas 51 buscas domiciliárias em Lisboa, Porto, Coimbra, Setúbal e Bragança. “Foram identificadas até ao momento 531 vítimas, muitas delas especialmente vulneráveis, que necessitavam daqueles rendimentos para sua sobrevivência, ascendendo o prejuízo sofrido a cerca de 228 mil euros”, indica a PJ em comunicado. Os suspeitos agora detidos estão acusados pelos crimes associação criminosa, burla informática, falsidade informática e acesso ilegítimo e indevido.

A Segurança Social adotou medidas de segurança nos pagamentos a pensionistas, impedindo, por exemplo, que a alteração do NIB possa ser feita online, exigindo agora que seja feita presencialmente.

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