Depois de sete semanas de julgamento e de terem testemunhado 34 pessoas no tribunal de Manhattan, em Nova Iorque, o caso de Sean “Diddy” Combs está na reta final. Esta quarta-feira começaram as alegações finais do caso em que o músico e empresário norte-americano é acusado de conspiração para extorsão, tráfico sexual, e envolvimento numa rede de prostituição. Se for considerado culpado, poderá ser condenado a prisão perpétua.

Christy Slavik, procuradora, foi a primeira a apresentar os argumentos finais. De acordo com a BCC, Slavik focou-se no tráfico sexual, que é o “crime brutal no centro do caso”, alegando que o rapper fez uso do medo e da violência para forçar Jane e Cassie Ventura, ex-namoradas, a terem relações sexuais indesejadas com acompanhantes de luxo durante as festas que ele organizava.

Nas mesmas declarações, a procuradora alegou que o cantor liderava um grupo de pessoas com apenas um propósito: servi-lo e protegê-lo. “Combs esperava que todos o servissem, protegessem a sua reputação e realizassem todos os desejos, incluindo os sexuais”, disse, acrescentando que os guarda-costas de “Diddy” não eram uma equipa de segurança “normal”. Eram jovens que “não hesitavam em fazer o que fosse necessário para manter o réu feliz”, acrescentou.

Das “centenas de crimes” que Combs cometeu, os procuradores só necessitam de provar dois para a acusação ter efeito. Christy Slavik reiterou que um deles poderá ser o caso de distribuição de droga. Este é, aliás, um dos pontos principais da acusação: o músico terá usado a sua influência e poder para coagir mulheres a praticar atos sexuais indesejados sob efeito de drogas.

Slavik alega que “Diddy” usou drogas para manter as suas antigas namoradas “acordadas e obedientes” durante as “chamadas surpresas”, evidenciando as provas que foram encontradas nas propriedades do artista (cocaína, metanfetamina, xanax e cogumelos).

A procuradoria também tentou provar a acusação de sequestro. Para isso, Slavik destacou duas testemunhas: Cassie Ventura e Capricorn Clark, recordando o incidente no qual Combs terá espancado e pisado o rosto de Ventura quando esta tentou fugir dele num hotel em Los Angeles. O rapper terá obrigado a ex-namorada a ficar no hotel durante uma semana enquanto recuperava as lesões provocadas pela agressão. “Ela queria ir para a casa da mãe, mas não lhe foi permitido“, disse Slavik ao júri.

Expôs, também, a suposta tentativa de suborno de Combs aos funcionários do hotel. Em troca de “uma pilha de dinheiro”, pediu para ninguém contar nada do que se tinha passado. A procuradora descreveu os esforços que a antiga chefe do gabinete de Combs, Kristina Khorram, fez para conseguir o vídeo da agressão: fê-lo por várias ligações e visitas pessoais ao hotel. Depois de várias tentativas falhadas, o cantor ofereceu 100 mil dólares (cerca de 85 mil euros) pelo vídeo em troca de um acordo de confidencialidade.

Em tribunal foram, ainda, lidas mensagens de texto trocadas entre o rapper e as duas ex-namoradas. A procuradora alegou que Combs usava a chantagem (através da gravação de vídeos íntimos) e a força para as obrigar a continuar a manter relações sexuais com ele e com trabalhadores de sexo nas festas que duravam mais de 24 horas.