Desde a memorável final de Roland Garros, num encontro que estava literalmente perdido mas que ainda conseguiu resgatar num desafio superado ao impossível perante a incredulidade de Jannik Sinner, Carlos Alcaraz realizou apenas um torneio, também em Londres, para se adaptar à relva. Ganhou, vencendo Jiri Lehecka em três sets, mas não teve propriamente nenhum peso pesado no caminho. Mais: não estava a um nível impressionante. Era por isso que a primeira ronda de Wimbledon era tão aguardada, com o espanhol a ter pela frente um Fabio Fognini apostado a fazer o jogo de uma vida na despedida do circuito profissional. Foi a cinco sets, acabou por ganhar, voltou a ter o público do court central completamente rendido – pela qualidade de jogo sobretudo na parte final, pela forma como acudiu uma espectadora que se sentiu mal com o calor e foi a correr buscar água para tentar ajudar. Também aqui, Carlitos é o menino querido.
Carlos Alcaraz. Jannik Sinner.
The gentlemen's singles final will be box office ????#Wimbledon pic.twitter.com/Y551cJsLSb
— Wimbledon (@Wimbledon) July 11, 2025
Fognini quebrou em termos físicos numa fatura que os 38 anos não perdoaram, o espanhol podia fazer mais cinco sets que continuava igual a si mesmo, tão depressa a queixar-se ao seu camarote pelas bolas que não conseguia meter (e a gritar algumas frases como “Eh pá, a jogar assim ele pode jogar até aos 50! O que é que eu faço?”) como a levantar o dedo ou a colocá-lo no ouvido para puxar pelos adeptos. Ainda assim, esse jogo ficou como uma lição. Alcaraz não deu hipóteses a Oliver Tarvet, bateu Jan-Lennard Struff, recuperou da melhor forma de uma atípica derrota no tie break do primeiro set frente a Andrey Rublev, “atropelou” Cameron Norrie. Agora, estava apenas a um encontro de somar a terceira final consecutiva.
Apesar dos sustos iniciais com Giovanni Mpetshi Perricard e Gabriel Diallo, Taylor Fritz estava a ser um dos jogadores mais regulares na relva londrina e surgia como principal desafio ao percurso do espanhol até essa possibilidade de fazer algo que Rafa Nadal só conseguiu uma vez em Wimbledon (entre 2006 e 2008, com duas derrotas e uma vitória em 2008 sempre contra Roger Federer). Como está a ser gerido o jovem jogador de 22 anos? A divertir-se junto da equipa com sete elementos que está consigo em Londres, entre os dois treinadores, o fisioterapeuta, o preparador físico, o médico, o representante e o irmão mais velho. A parte das notícias sobre um alegado romance com Emma Raducanu já passou, agora o tempo era outro.
Andre Agassi compares Carlos Alcaraz’s style to tennis greats Roger Federer, Novak Djokovic and Rafael Nadal ???? pic.twitter.com/4V4WVBgXa8
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Porquê essa aposta? Porque, em termos físicos, Alcaraz está no topo. Os minutos de jogo vão passando, os erros nada têm a ver com um possível cansaço, a leveza de um quarto ou de um quinto set é quase igual à que mostra no arranque dos encontros. A par disso, o espanhol tornou-se uma fortaleza em termos mentais nos pontos mais importantes. A ganhar por 2-1, com os parciais de 6-4, 5-7 e 6-3, o número 2 do mundo esteve a perder por 6-4 no tie break do quarto set mas anulou dois pontos do norte-americano e acabou por fechar a partida com 8-6, carimbando aquela que foi a 24.ª vitória seguida no circuito. Ou seja, desde o desaire na final de Barcelona em abril, foi só ganhar entre Madrid, Roland Garros, Londres e Wimbledon.
Carlos Alcaraz in 2025????
24 match win streak ✅
Monte Carlo ✅
Rome ✅
French Open ✅
Queens Club ✅
Raducanu ✅
Wimbledon ⏳Simply the best ???? player in the world right now…???? pic.twitter.com/D4V2sc8A1K
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[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 8.º e último episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui, o sexto aqui e o sétimo aqui]
À exceção dos serviços ao corpo que foram a repetida arma de recurso usada por Alcaraz, Fritz, quinto cabeça de série do torneio, teve resposta para quase tudo mas, à semelhança do que acontecera com Jannik Sinner na final do US Open do ano passado, não travou aquele que é um dos rostos da mudança geracional do ténis na era moderna. Com isso, ficava apenas por saber se o espanhol teria o maior rival da atualidade (e que terá muito provavelmente na próxima década) ou o mais vencedor de todos os tempos pela frente. Ou seja, ou reeditava a decisão de Roland Garros com Sinner ou repetia as duas últimas finais de Wimbledon com Djokovic. Esse era talvez o encontro mais esperado do dia por tudo aquilo que trazia consigo.
Back-to-back-to-back Wimbledon finalist. pic.twitter.com/joTpjYIJY0
— alcaraz archive (@alcarchive) July 11, 2025
Alcaraz and Sinner will be the first pair to face in the Roland-Garros and Wimbledon finals the same year since Federer and Nadal in 2008!
What a double feature that was… pic.twitter.com/zyaeshXNoz
— Bastien Fachan (@BastienFachan) July 11, 2025
Ainda houve dez minutos de dúvidas em relação a essa questão, quando Novak Djokovic foi assistido na sua cadeira antes do arranque do terceiro set e começou o parcial com um 3-0. Reviravolta à vista depois do duplo 6-3 com que começou a partida contra Sinner? Nem por isso. Apesar de ainda ter tremido no seu jogo de serviço seguinte, o italiano estabilizou o seu jogo, foi aproveitando os inúmeros erros do sérvio à rede e caminhou de forma tranquila para o triunfo por 6-4. Aos 38 anos, Djokovic superou o número de meias-finais em Wimbledon de Roger Federer mas, claramente debilitado pelo problema na coxa contraído no final do encontro com Flavio Cobolli, mostrou que a idade começa a ser um adversário para o qual não tem um antídoto. Sinner, que apesar da ligadura elástica no braço direito por um problema no cotovelo que por pouco não valeu a derrota diante de Dimitir Berbatov pareceu estar bem, chegou à quarta decisão seguida de um Grand Slam, reencontrando Carlos Alcaraz para um duelo que vai marcar a história do ténis.
Jannik Sinner becomes the second player, after Carlos Alcaraz, to beat Novak Djokovic at #Wimbledon since 2018 pic.twitter.com/oFz9RjWRsS
— Wimbledon (@Wimbledon) July 11, 2025
Jannik Sinner has reached 4 consecutive Grand Slam Finals.
U.S. Open 2024.
Australian Open 2025.
Roland Garros 2025.
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He is also the 2nd youngest man to reach the final of all 4 Grand Slams in the Open Era.
1. Courier
????. ????????????????????????
3.… pic.twitter.com/IYnmzn02Uz— The Tennis Letter (@TheTennisLetter) July 11, 2025
Jannik Sinner becomes the fourth player to defeat Novak Djokovic on grass, clay and hardcourt at the tour level.
He joins a very exclusive list ???? pic.twitter.com/r6vJDPMD3C
— ESPN (@espn) July 11, 2025