Um avião de passageiros despenhou-se esta quinta-feira nos arredores de Tynda, cidade da região russa de Amur, causando a morte às mais 40 pessoas que seguiam a bordo — fontes citadas pela agência estatal de notícias TASS falam em 46 mortos, enquanto que o governador de Amur dá conta de 49. A aeronave tinha partido do aeroporto de Blagoveshchensk com destino a Tynda e desapareceu dos radares quando se aproximava do destino. Seria encontrada numa encosta a 15 quilómetros desta cidade, de acordo com informação avançada pelos serviços de emergência russos e noticiada pela agência noticiosa russa TASS.
✈️???? Passenger plane crashes in Russia’s Amur region — over 40 people on board
A Soviet-made Antonov An-24 aircraft operated by Angara Airlines disappeared from radar near the town of Tynda while attempting a second landing approach. Emergency crews later found the burning… pic.twitter.com/MOO08NTbEP
— NEXTA (@nexta_tv) July 24, 2025
“A 15 km de Tynda, os destroços de uma aeronave An-24 foram encontrados numa encosta. O avião ficou destruído”, disseram os serviços de emergência locais. Quando embateu no solo, a aeronave incendiou-se e os destroços espalharam-se por uma área extensa de difícil acesso, por ser montanhosa e arborizada. Entre os 46 passageiros a bordo do avião, encontravam-se cinco crianças e seis membros da tripulação. O avião fazia parte da frota de uma companhia aérea da Sibéria, a Angara Airlines, e começou a voar em 1976.
Ao sobrevoar o local, as aeronaves dos serviços de emergência não encontraram sinais de nenhum sobrevivente. Foi mobilizada para o local uma equipa de salvamento composta por 25 elementos. “As equipas de resgate estão a caminho do local do acidente. Neste momento, foram enviadas 25 pessoas e 5 unidades de equipamento, e 4 aeronaves com tripulações estão prontas para ser mobilizadas”, avançou o centro regional de proteção civil.
Depois da queda do avião, o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin anunciou a criação de uma comissão governamental para responder às consequências do acidente. Essa comissão será liderada pelo ministro dos transportes Andrei Nikitin, que sobrevoará em breve o local do acidente com o líder da autoridade de aviação russa Dmitry Yadrov.
Antes deste anúncio, o vice-diretor do Comité de Investigação para os Transportes tinha afirmado que a companhia aérea do avião que caiu, a Angara Airlines, vai ser visada nas investigações do inquérito que foi aberto sobre o sucedido. “Qual é a atividade da companhia aérea? Trata-se de uma companhia aérea séria, que trata com seriedade a manutenção das aeronaves, a formação do pessoal e o cumprimento das condições de trabalho? Tudo isso será avaliado de forma abrangente”, disse Vladimir Anufriev.
O avião que caiu esta quinta-feira já tinha estado envolvido em quatro incidentes desde 2018, segundo uma informação da autoridade de aviação russa. No primeiro, em 2018, saiu da pista de taxiway e bateu num poste de iluminação, danificando a asa esquerda. Em 3 de abril de 2022, o sistema de alerta de aproximações perigosas foi acionado, durante um voo. Em 19 de maio de 2022, devido a uma falha no gerador, teve de regressar ao aeroporto de partida, depois da descolagem. Em 6 de março de 2025, a tripulação pediu para regressar ao aeroporto devido a uma falha num conjunto de rádios.
Os aviões do modelo An-24 foram construídos na era soviética e são conhecidos como “tratores voadores”. A maioria destes aviões, que são movidos a hélice e considerados fiáveis para enfrentar as condições climatéricas da Sibéria, tem mais de 50 anos. No entanto, o preço de manter estas aeronaves aumentou como consequência das sanções ocidentais à Rússia, de acordo com a Reuters. O investimento e a manutenção dos Antonovs — gama à qual pertencem os An-24 — têm sido afetados pela dificuldade em comprar componentes novas para o avião, segundo pilotos e diretores de companhias aéreas.
O avião partiu do aeroporto de Khabarovsk, cidade que faz fronteira com a China, às 7h36 locais (22h36 de Lisboa), conforme previsto. A aeronave fazia a rota Khabarovsk-Blagoveshchensk-Tynda e, depois de descolar do aeroporto onde fez escala, acabou por desaparecer quando se aproximava do destino final. O Departamento de Investigação para os Transportes da região oriente da Rússia anunciou a abertura de um inquérito.
Os serviços de emergência russos apontam para já para uma falha humana como a causa para a queda do avião no este da Rússia. “A versão que está a ser considerada é um erro da tripulação, que bateu numa colina, durante a aterragem, que ocorreu em condições climáticas adversas. Outras versões também serão consideradas”, disse fonte dos serviços de emergência locais. Por outro lado, o Comité de Investigação para os Transportes ainda está a considerar um erro técnico como principal causa do acidente. “Várias versões estão a ser tidas em conta ao mesmo tempo. A primeira é uma falha técnica e a segunda, como regra geral, é o fator humano”, disseram à TASS.