Numa altura em que as forças policiais norte-americanas estão cada vez sob mais pressão, um vídeo publicado nas redes sociais reacendeu o debate sobre a discriminação racial, assunto que ganhou maior destaque desde a morte de George Floyd, em 2020. A gravação, feita por William (Will) Mcneill Jr., mostra agentes da polícia a agredi-lo no decorrer de uma paragem de trânsito em Jacksonville, na Flórida, no passado mês de fevereiro. Em entrevista à ABC News, a vítima, que decidiu levar o caso a tribunal, disse que quer “justiça para todas as pessoas negras na América e em todo o mundo”.
As imagens mostram o jovem de 22 anos, dentro do seu carro, a perguntar porque tinha sido parado, enquanto se recusava a sair do veículo. Como não obedeceu, os agentes quebraram o vidro, deram um murro na cara Mcneill e puxaram-no para fora do carro, onde o atiraram para o chão e o algemaram. William Mcneill não parece resistir nem retaliar.
Questionado pela ABC News sobre porque não obedeceu aos polícias, respondeu: “Temi pela minha vida. Estava assustado, com medo. Cresci a ouvir que o agentes nos protegem, mas não foi esse o caso”. Aliás, o jovem diz que, depois do que lhe aconteceu ainda continua com receio dos polícias, que tem pesadelos e que deixou de conduzir: “Já não conduzo. Só porque já não confio em polícias”, explica.
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— William LaVant (@WilliamLavant) July 21, 2025
A família e advogados do jovem acusaram ainda os agentes de ter apontado uma arma à sua cabeça, mas estas declarações não são suportadas nem pelo relatório oficial, nem pelas imagens das bodycams divulgadas posteriormente pelo Gabinete do Xerife de Jacksonville.
O Jacksonville Today avançou que Mcneill está a sofrer de perda de memória a curto prazo e que ficou com um dente lascado. Em conferência de imprensa, os seus advogados reforçaram a sua inocência. “Não é ser anti-polícia quando um cidadão americano pergunta ‘porque me estão a parar?’, isso é um cidadão americano a exercer os seus direitos constitucionais”, declaram, pelo que vão avançar com um processo contra o Gabinete do Xerife de Jacksonville.
No seu relatório, os agentes dizem que avisaram Mcneill repetidamente para sair do carro antes de partirem o vidro, porque circulava sem luz em clima adverso (era de dia, e ainda que estivesse nublado, não estava a chover) e que estava sem cinto de segurança (no vídeo, surge com ele colocado). Contudo, não mencionam as agressões que se seguiram, lendo-se apenas que “foi aplicada força física no suspeito”. O documento diz ainda que Mcneill estava a “tentar chegar ao chão do veículo, onde estava uma faca grande”. A gravação publicada por Will mostra o jovem quase exclusivamente de braços cruzados ou com as mãos no ar antes de os agentes o tirarem do carro e o deterem.
[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
Texto editado por Dulce Neto