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Tailândia e Camboja acusam-se mutuamente a poucas horas de discutirem trégua

Este artigo tem mais de 1 ano

Primeiro-ministro interino tailandês acusou o Camboja de falta de "boa fé", ao partir para a Malásia, país mediador onde se reunirá esta segunda-feira com o homólogo cambojano.

epa12267466 People flee their homes near the Cambodia-Thailand border in Oddar Meanchey province, northwest of Cambodia, 28 July 2025. Thai-Cambodian border clashes continued for a fifth day on 27 July. Cambodian Prime Minister Hun Manet will attend a Malaysia-hosted meeting, co-organized by the US and joined by China, aiming for a ceasefire on 28 July.  EPA/KITH SEREY
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▲Líderes políticos vão reunir-se na Malásia para chegar a um cessar-fogo no conflito que começou quinta-feira passada na fronteira

KITH SEREY/EPA

▲Líderes políticos vão reunir-se na Malásia para chegar a um cessar-fogo no conflito que começou quinta-feira passada na fronteira

KITH SEREY/EPA

A Tailândia e o Camboja trocaram esta segunda-feira acusações, no quinto dia de confrontos militares junto à fronteira entre os dois país, e a poucas horas de discutirem, na Malásia, um cessar-fogo.

O primeiro-ministro interino tailandês acusou o Camboja de falta de “boa fé”, ao partir para a Malásia, onde se reunirá esta segunda-feira com o homólogo cambojano em Putrajaya, a capital económica do país mediador.

“Não achamos que o Camboja esteja a agir de boa-fé, tendo em conta as ações para resolver o problema. Eles têm de demonstrar uma intenção sincera“, disse Phumtham Wechayachai aos jornalistas no aeroporto em Banguecoque.

Também o Camboja afirmou que os ataques continuaram esta madrugada nos templos disputados de Ta Moan Thom e Ta Krabey, a mais de 400 quilómetros de Banguecoque e Phnom Penh.

A porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, disse, numa conferência de imprensa, que a Tailândia atacou o território cambojano entre domingo e a madrugada desta segunda-feira com obuses de artilharia e bombas de fragmentação.

Os líderes políticos do Camboja e da Tailândia vão reunir-se esta segunda-feira na Malásia para tentar chegar a um cessar-fogo no conflito, que começou na quinta-feira passada na fronteira entre os dois países e provocou, até agora, pelo menos 35 mortos e cerca de 350 mil pessoas retiradas das suas casas.

“Sublinhamos a necessidade de ambas as partes exercerem a máxima contenção e se comprometerem com um cessar-fogo imediato, abstendo-se de qualquer ação que o possa prejudicar”, lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Malásia.

“Exortamos ambas as partes a cessarem todas as hostilidades, a regressarem à mesa das negociações para restaurar a paz e a estabilidade e a resolverem os diferendos e as divergências por meios pacíficos”, declarou ainda o Governo de Kuala Lumpur.

O primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, deverá encontrar-se com os seus homólogos cambojano, Hun Manet, e tailandês, Phumtham Wechayachai, em Putrajaya, pelas 15h00 desta segunda-feira (08h00 em Lisboa).

A Malásia detém a presidência rotativa da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da qual Banguecoque e Phnom Penh são membros, e já interveio como mediadora entre as partes no segundo dia do diferendo.

“O objetivo desta reunião é chegar a um cessar-fogo imediato”, disse Hun Manet nas redes sociais no domingo à noite.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, exortou os dois países a diminuírem as tensões “de imediato” e a concordarem com um cessar-fogo na disputa fronteiriça.

“Tanto o Presidente [Donald] Trump como eu estamos em contacto com os nossos homólogos de cada país e estamos a acompanhar a situação de muito perto. Queremos que este conflito termine o mais rapidamente possível”, apontou Rubio na rede social X.

Além de Washington e da ASEAN, também a ONU, China, União Europeia, Japão e Rússia, entre outros, apelaram à contenção e ao diálogo entre as partes.

De acordo com os últimos dados oficiais, foram mortas 22 pessoas do lado tailandês – 14 civis e oito soldados – e 13 do lado cambojano – oito civis e cinco militares.

Os confrontos, que começaram depois de semanas de tensão entre os dois países, já provocaram a deslocação de cerca de 218 mil pessoas na Tailândia, enquanto o Camboja informou que o número de famílias deslocadas ascende a 40 mil.

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