Eram 18h28 desta segunda-feira em Nova Iorque (23h28 em Portugal Continental), quando o número de emergência norte-americano, o 911, começou a receber chamadas sobre um tiroteio em Manhattan, em plena hora de ponta na cidade mais populosa dos Estados Unidos. Minutos antes, um BMW tinha parado em segunda fila em frente ao 345 Park Avenue, um arranha céus onde a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL) tem a sua sede.
De dentro do carro, saiu um homem empunhando uma espingarda M4. As imagens foram capturadas pelas câmaras de videovigilância no local e relatadas na segunda-feira à noite pela comissária da polícia de Nova Iorque, Jessica Tisch, em conferência de imprensa. “Pareceram dois tiros rápidos e depois foi fogo rápido“, relatou Nekeisha Lewis, que estava a jantar na praça em frente ao edifício, à Associated Press.
O primeiro tiro matou Didarul Islam, um polícia de 36 anos, que estava no local fora de serviço, numa missão de segurança. O “fogo rápido” atingiu também uma mulher que se procurava abrigar dos tiros. Depois, o atirador avançou na direção do elevador. Aí, matou o segurança do edifício, Aland Etienne, que procurou abrigo atrás da sua secretária, e disparou contra outro homem.
O homem e a mulher atingidos foram levados para o hospital, onde a mulher acabou por morrer. O homem, um funcionário da NFL, encontra-se em estado grave, mas estável, informou a liga de futebol americano em comunicado.
Depois do tiroteio no hall de entrada, o atirador deixou uma mulher sair do elevador e subiu até ao 33.º piso, onde fica a sede da Rudin, a empresa de imobiliário que detém o edifício. Aí, matou uma outra mulher, que foi posteriormente encontrada já sem vida pelas autoridades. Depois, o atirador suicidou-se com um tiro no peito, descreveu a comissária nova-iorquina.
Uma das duas mulheres mortas foi depois identificada como Wesley LePatner, uma executiva sénior da empresa de gestão de investimentos, Blackstone, que também tem a sua sede no arranha-céus de Manhattan.
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Shane Tamura: o natural do Nevada, com um bilhete crítico contra a NFL no bolso
Jessica Tisch identificou o atirador como Shane Tamura, um homem de 27 anos natural de Las Vegas. O BMW que estacionou em segunda fila estava registado em seu nome no estado do Nevada, onde também tinha licença de porte de arma, relatou a porta-voz da polícia de Nova Iorque.
Dentro do carro, as autoridades encontraram o estojo da arma automática, juntamente com várias recargas, revistas sobre munições e um revólver carregado, assim como medicação passada em seu nome — Tamura teria ETC um problema de saúde semelhante ao Alzheimer, frequente em jogadores de futebol-americano. O atirador fez o percurso de carro entre o Nevada e Nova Iorque, onde chegou momentos antes do tiroteio, segundo apuraram as autoridades.
Durante a juventude, Tamura jogou futebol-americano num liceu no sul da Califórnia, onde a notícia foi recebida com choque. “Quando o conheci, ele era um ótimo colega de equipa. Um ótimo tipo em geral. Não causava problemas, no balneário ou em campo. Era só um tipo que gostava do desporto e não era problemático“, relatou um antigo colega que não falava com ele há vários anos ao canal local KABC.
Os motivos do ataque ainda estão a ser investigados pelas autoridades, mas no bolso de Tamura foi encontrado uma nota em que escreveu “não se pode ir contra a NFL”. “Eles esmagam-vos”, pode ler-se ainda, num bilhete citado pela CNN em que o homem pediu que o seu cérebro seja estudado. O escritório da NFL em 345 Park Avenue fica no quinto andar — Tamura subiu diretamente para o 33.º.
O mesmo canal identifica este tiroteio como o mais mortífero na cidade de Nova Iorque desde 2000, numa altura em que a cidade está a registar um dos anos com menos homicídios ou pessoas mortas por tiros em décadas, aponta a Associated Press. Ainda assim, o ataque volta a atirar o tema da segurança no centro da cidade para o centro da agenda: o tiroteio desta segunda-feira aconteceu a apenas quatro quarteirões do assassinato de Brian Thompson, diretor executivo da empresa de seguros United Healthcare. Luigi Mangione, acusado por este homicídio, continua em prisão preventiva, a aguardar julgamento.
Notícia atualizada com a hora correta do ataque