Quis o destino que o reencontro acontecesse logo na primeira jornada. Ainda em agosto e em Old Trafford, Ruben Amorim voltava a estar perto de Viktor Gyökeres num relvado — agora, porém, enquanto adversários. A dupla que marcou uma era em Alvalade separou-se, deixou o Sporting com meses de diferença e cruzava-se novamente em Inglaterra no início de um novo capítulo para cada um.
Este domingo, dois dias depois de o Liverpool ter dado o pontapé de saída da Premier League com uma vitória contra o Bournemouth, o Manchester United recebia o Arsenal ainda durante um mercado de transferências particularmente agitado para as duas equipas. Se os red devils de Ruben Amorim se reforçaram e muito com Mbeumo, Matheus Cunha e Sesko, os gunners de Mikel Arteta seguiram o exemplo com Gyökeres, Madueke, Zubimendi, Mosquera e também Norgaard — de um lado, procurava-se o regresso a dias mais felizes; do outro, procurava-se a confirmação dos dias mais felizes.
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O prato forte do jogo, porém, era mesmo o reencontro entre o treinador português e o avançado sueco. Na antevisão da partida, Ruben Amorim não fugiu à questão, mas também procurou esvaziar o assunto. “Vamos planear este jogo como todos os outros. Precisamos de perceber o que é que um jogador dá naquela posição, com diferentes movimentos… Temos de explicar isso à equipa. Acho que ele vai adaptar-se muito bem a Inglaterra. É muito bom jogador, muito bom rapaz. Mas é só mais um jogador e no domingo estará do outro lado. Não quero saber do Viktor, só quero vencer o nosso jogo”, disse o técnico, entre sorrisos, sobre a estreia do jogador na Premier League.
Ora, neste contexto, Amorim ainda deixava Benjamin Sesko no banco e apostava em Matheus Cunha como referência ofensiva, apoiado por Mbeumo e Mason Mount, com Bruno Fernandes e Diogo Dalot a serem ambos titulares. Já Arteta tinha o crónico Gyökeres no ataque, com Gabriel Martinelli e Saka perto do sueco, sendo que Declan Rice, Odegaard e Zubimendi ocupavam o meio-campo.
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O Manchester United entrou claramente melhor, ocupando o meio-campo contrário e forçando o Arsenal a juntar as linhas e a defender muito perto da baliza de David Raya. Mbeumo foi o primeiro a testar os reflexos do guarda-redes espanhol, com um remate já na área (6′), e Patrick Dorgu atirou de longe mas ao lado (8′), com os gunners a aproveitarem todos os instantes de posse de bola para recuperar fôlego face à pressão contrária. A eficácia, porém, só apareceu do outro lado.
O Arsenal mantém-se clínico e frio nos lances de bola parada e, depois de um pontapé de canto na esquerda e uma abordagem completamente errada de Altay Bayındır, Riccardo Calafiori apareceu ao segundo poste a encostar para abrir o marcador (13′). O Manchester United reagiu bem ao golo sofrido e manteve-se por cima do jogo, criando várias oportunidades para empatar até ao intervalo incluindo um remate ao poste de Dorgu (30′), mas acabou por não conseguir marcar e os londrinos chegaram mesmo a ganhar ao fim da primeira parte.
Falta ou limpo? ???? Calafiori faz o primeiro
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Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a lógica mantinha-se, com o Manchester United a ter mais bola e o Arsenal a apostar na transição rápida — onde Gyökeres não estava a ter uma estreia brilhante, totalmente anulado por uma boa exibição de De Ligt e algo atabalhoado nos movimentos. Ruben Amorim mexeu ainda antes da hora de jogo, lançando Amad Diallo no lugar de Diogo Dalot, e Mikel Arteta não demorou muito mais a tirar Gyökeres e Martinelli para colocar Madueke e Kai Havertz.
O tempo ia passando sem que nada mudasse e sem grandes ocasiões de golo e Amorim voltou a olhar para o banco, apostando em Manuel Ugarte e proporcionando a estreia de Sesko. Mbeumo poderia ter empatado com um pontapé de bicicleta que passou ao lado num lance onde o entrosamento com Matheus Cunha ficou muito claro (69′) e Arteta respondeu à parca exibição do Arsenal com as entradas de Timber e Lewis-Skelly. Até ao fim, David Raya ainda defendeu um cabeceamento do mesmo Mbeumo na área (73′), mas já nada mudou apesar do enorme forcing final dos red devils.
O Manchester United perdeu em Old Trafford com o Arsenal na primeira jornada da Premier League: a equipa de Ruben Amorim foi sempre melhor, foi sempre mais consistente e com maior qualidade, mas não foi eficaz e o poder de fogo que chegou às mãos do treinador português continua a mostrar pólvora seca.
Raya continua a mostrar serviço ????#DAZNPremier pic.twitter.com/IIer0EG8Hi
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