A história de Amadou Onana, por si só, é digna de nota. Nasceu em agosto de 2001 no Senegal, mudou-se com a família para a Bélgica aos 11 anos, fala cinco línguas e também é rapper, tendo singles lançados sob o nome 24AM. Amadou Onana, porém, faz com que todas as decisões que toma sejam potenciais capítulos de uma futura autobiografia.

Depois dos primeiros passos nas camadas jovens e na equipa principal do Hoffenheim, onde chegou depois de começar a formação em clubes de Bruxelas, ainda passou pelo Hamburgo antes de explodir no Lille. Mudou-se para a Premier League e para o Everton em 2022 e as duas temporadas positivas garantiram-lhe o salto para um Aston Villa que esteve na Liga dos Campeões e só caiu nas meias-finais da Taça de Inglaterra. Aos 24 anos, Amadou Onana é agora uma das figuras da seleção da Bélgica, onde já leva 22 internacionalizações — e todo este percurso teve sempre a mesma pessoa como fio condutor.

Melissa Onana é não só a irmã do médio belga como é a agente do médio belga, acompanhando-o desde os primeiros dias da carreira e sendo a grande responsável pelas transferências que foram acontecendo com o passar dos anos. 13 anos mais velha, decidiu começar a filmar Amadou numa altura em que este estava infeliz e sem grandes oportunidades no Zulte Waregem e enviou os respetivos vídeos para vários clubes que ficavam a uma distância razoável de Bruxelas. O Hoffenheim foi um dos que responderam.

Seguiu-se uma viagem de comboio de cinco horas e com várias paragens até à cidade da Alemanha. O principal problema? Nesta altura, Melissa estava a realizar tratamentos de quimioterapia depois de ter sido diagnosticada com um cancro. “Ela estava muito doente. Estava a fazer quimioterapia, não tinha cabelo, estava de muletas… Essa viagem mostrou-me o quão forte ela é. Ver uma mulher estar tão doente e ser tão forte tornou-se a minha motivação. Todas essas coisas por que passámos são a minha gasolina”, explicou o jogador numa entrevista ao jornal The Times há algum tempo.

O tempo passou, Amadou Onana chegou à Premier League, Melissa sobreviveu ao cancro e percebeu o acompanhamento ao irmão lhe tinha dado uma carreira. Tirou as devidas licenças FIFA, especializou-se e fundou a Be The Future Management, a agência de jogadores que atualmente tem Onana, Mory Gbane ou Jean-Charles Castelletto na lista de clientes, trabalhando essencialmente com atletas africanos ou de origem africana.

“Mesmo antes de me tornar agente tinha uma experiência pessoal com a falta de transparência. Como irmã de um jogador de futebol, vi por mim mesma que a transparência não era uma qualidade de muitos agentes. Quis mudar isso e garanti que era uma das prioridades da Be The Future Management”, explicou Melissa, que continua a viver em Bruxelas, numa entrevista ao site besoccer.

Já Amadou Onana, numa entrevista ao site da Premier League onde também não esqueceu a influência da mãe, aproveitou para homenagear a irmã. “Ela teve um papel gigantesco no facto de me ter tornado o homem que sou hoje. Foi ela que me apoiou e que tem estado sempre aqui para mim durante toda a minha carreira, desde os 12 ou 13 anos. Acompanhou-me por toda a Bélgica, as pessoas costumavam dizer-lhe que o irmão podia ter algo diferente e ela levava isso muito a sério. Foi a todos jogos, quer estivesse frio, a chover ou a fazer sol. É uma parte crucial da minha vida”, atirou, descrevendo uma relação que foi o mote do documentário “My Sister, My Agent” lançando no final do ano passado.

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