A cortiça europeia é um dos produtos que escapa às tarifas de 15% impostas pelos Estados Unidos da América aos produtos europeus. De acordo com um comunicado da Comissão Europeia, há um conjunto de exceções, que ficarão isentas de tarifas ou terão um valor mínimo em “áreas importantes”. Aplicar-se-á nestas exceções a tarifa mais favorável, não sendo indicado o nível específico para cada um dos produtos.

“Isto inclui recursos naturais indisponíveis [nos EUA] como a cortiça, aviões e componentes aeronáuticos, medicamentos genéricos e os seus ingredientes ou precursores químicos”, indica o comunicado. Havia empresas à espera dessa tarifa zero, nomeadamente a cortiça, que é um dos principais exportadores portugueses.

Esta medida será tornada efetiva a 1 de setembro.

Há uma nova ordem no comércio entre EUA e União Europeia. Ainda há setores a sonhar com taxa zero, mas o impacto já chegou

No desenho final do acordo entre Estados Unidos da América e União Europeia revelado esta quinta-feira determina-se que os carros europeus e seus componentes terão um nível máximo de 15%, mas têm de ser eliminadas certas barreiras para que tal passe a ter efeito — ou seja não há uma data para estes 15%. Este limite máximo é estabelecido para “indústrias estratégicas, como carros, farmacêuticas, semicondutores e madeira”. E “serão efetivas no primeiro dia do mês em que a proposta legislativa da União Europeia seja introduzida”, lê-se no comunicado da Casa Branca. Estes produtos têm atualmente uma taxa de 27,5%.

E a proposta legislativa visa retirar qualquer taxa alfandegária sobre bens industriais dos Estados Unidos e garantir uma maior abertura dos mercados europeus para produtos agrícolas e marisco dos EUA. Também há o compromisso de simplificação nos requisitos para certificados sanitários para carne suína e laticínios.

A Comissão Europeia explica que esses 15% não são aplicados em cima de outras tarifas. Quando essas já estão em 15% ou acima, não haverá aplicação adicional. “Isto significa que a União Europeia vai beneficiar de tarifas efetivas significativamente mais baixas em comparação com outros países”. Isto para dizer que os produtos europeus não perderão competitividade face a esses países.

Para o aço e alumínio e derivados, acordou-se que serão estabelecidas quotas para estes produtos, para garantir que não há disrupção nas cadeias de abastecimento.

“Este é apenas o primeiro passo — a União Europeia e os Estados Unidos vão explorar exceções adicionais a outros setores no futuro”, diz o comunicado citando o comissário europeu do comércio, Maroš Šefčovič.

A Comissão Europeia compromete-se a comprar aos Estados Unidos gás natural liquefeito, petróleo e produtos de energia nuclear no valor de 750 mil milhões de dólares até 2028. E a comprar chips para inteligência artificial no valor de 40 mil milhões de dólares.

Agora, a Comissão Europeia já atira para as projeções das empresas um investimento total de 600 mil milhões de dólares nos Estados Unidos até 2028. Um compromisso que Ursula von der Leyen tinha feito com Donald Trump, mas que não dependia da Comissão Europeia. As compras em equipamentos de defesa também são uma promessa comunitária.

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APCOR espera que isenção de tarifas ajude a “inverter as recentes tendências das exportações portuguesas de cortiça”

A APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça não tem feito qualquer comentário às tarifas dos Estados Unidos. Esta quinta-feira quebrou o silêncio enviando um comunicado às redações, congratulando-se com “a inclusão dos produtos de cortiça na lista de isenções do mais recente acordo de tarifas alcançado entre os Estados Unidos da América e a União Europeia”.

Para a associação, “representa o reconhecimento internacional da especificidade geográfica única da cortiça, cuja matéria-prima é produzida exclusivamente na bacia mediterrânica – com Portugal a assumir o papel de maior produtor mundial”, tornando difícil a deslocalização de produção. “A ausência de alternativas locais ou internacionais capazes de substituir a rolha de cortiça reforça a importância estratégica destes produtos no mercado americano, em particular para a sua indústria vitivinícola”, já que os EUA são atualmente o quarto maior produtor mundial de vinho.

Por outro lado, a APCOR espera que “a isenção de tarifas seja determinante para inverter as recentes tendências das exportações portuguesas de cortiça, garantindo maior competitividade no acesso a um dos mercados mais relevantes para o setor. Face à elevada internacionalização da indústria, presente em todos os países produtores de vinho, não existe margem para uma estratégia de diversificação de mercados no curto e médio prazo, o que torna esta decisão especialmente relevante”. Em 2024, as exportações de cortiça caíram.

[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]