O ministro da Educação diz que ficou “surpreendido” com a polémica em torno das alterações na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento porque “modéstia à parte, é a primeira vez que a disciplina está a ser tratada com a seriedade que merece ter”. Na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, Fernando Alexandre garantiu que o Governo também vai apostar na formação de professores para esta disciplina, dando como exemplo a necessidade dos docentes saberem responder à “complexidade” de questões como a “educação sexual”.
Sobre a fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia com a Agência Nacional de Inovação — que tem sido contestada pelo setor e que levantou reservas ao Presidente da República — Fernando Alexandre deu garantia que todos “os programas existentes na FCT vão continuar” e lembra que o Governo vai aumentar em 40 milhões o investimento em Ciência em 2026.
Mas não será a troco de nada. Apesar de dizer que o Governo respeita a “liberdade de investigação”, o ministro deixa claro que se há mais dinheiro público, os investigadores vão ter de devolver esse investimento à sociedade. Fernando Alexandre diz que “a nossa ciência gera pouca inovação. A investigação fica dentro do laboratório. Há liberdade de investigação, mas depois não há ganho para a sociedade.” Daí que o governante seja claro no aviso que faz para quem quer concorrer a estes fundos: “Cientistas têm de perceber que têm a obrigação de devolver à sociedade o investimento que é feito neles.”
Ainda sobre as reservas quanto às alterações na FCT, Fernando Alexandre lembra que a fundação “já não corresponde às necessidades dos investigadores”. E acrescenta: “O país tem medo da mudança, mas não nos podemos queixar que a FCT não funciona, que não temos inovação e insistir com a mesma fórmula.”
O ministro da Educação anunciou ainda que na próxima semana vai iniciar reuniões com as autarquias para conseguir mais seis mil vagas no pré-escolar. Fernando Alexandre diz que o Governo contactou autarquias identificadas para se disponibilizar a financiar a criação de novas salas, por exemplo, através da construção de monoblocos. Sem avançar valores, o ministro diz que cada protocolo será negociado “caso a caso”, uma vez que as escolas têm necessidades diferentes.
Sobre o problema da desigualdade no acesso ao Ensino Superior, Fernando Alexandre revelou que ficou surpreendido quando o Governo fez um levantamento e percebeu que “não temos os quartos de residências todos ocupados, nem seque em Lisboa ou no Porto”. E revelou, num tom que responsabiliza as instituições de ensino superior, que são responsáveis por esta gestão: “Estamos à espera que nos expliquem porquê.” Quando questionado sobre os números em causa, atirou respostas para as universidades e politécnicos: “Perguntem às instituições de ensino superior”.