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Uma cientista de nacionalidade israelo-russa que vivia e estudava nos Estados Unidos foi esta semana libertada após vários meses em cativeiro no Iraque, anunciou esta terça-feira o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, numa publicação na rede Truth Social.

“Tenho a alegria de anunciar que Elizabeth Tsurkov, uma estudante de Princeton, cuja irmã é uma cidadã norte-americana, acaba de ser libertada pelo Kataib Hezbollah e encontra-se atualmente em segurança na embaixada dos EUA no Iraque”, revelou Trump.

Segundo a BBC, o primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, também confirmou a libertação de Tsurkov pelo grupo islamita. Considerado uma organização terrorista por vários governos, o Kataib Hezbollah é um grupo paramilitar xiita alinhado com o regime do Irão que opera no Iraque, e que é por vezes conhecido como o Hezbollah iraquiano.

A jovem russo-israelita Elizabeth Tsurkov, estudante de doutoramento na Universidade de Princeton, é especialista nas questões do Médio Oriente — especialmente da Síria e do Iraque — e viajava frequentemente por vários países da região, falando fluentemente árabe. Licenciada em relações internacionais e mestre em estudos do Médio Oriente, Tsurkov está a desenvolver o seu doutoramento em Princeton em torno da guerra civil da Síria. A jovem esteve também envolvida num grupo israelita que se dedicava à defesa dos direitos dos palestinianos em Gaza.

Em janeiro de 2023, a jovem viajou para o Iraque no âmbito da sua investigação de doutoramento, com o objetivo de fazer trabalho de campo. Detentora de passaportes de Israel e da Rússia, Tsurkov entrou no Iraque com o russo — já que teria dificuldade em entrar com o israelita, país com o qual o Iraque não tem relações diplomáticas e que considera um país hostil.

Dois meses depois, em março de 2023, Elizabeth Tsurkov foi dada como desaparecida. De acordo com a AFP, a jovem estudante estava a sair de um café na capital iraquiana, Bagdade, quando foi raptada pelo Kataib Hezbollah. No contexto do seu doutoramento, Tsurkov estava a estudar concretamente o papel das fações pró-iranianas no Médio Oriente. Em julho de 2023, o governo israelita confirmou que a jovem tinha sido raptada por aquele grupo. Nesse verão, circulou entre as milícias iraquianas um vídeo de propaganda onde surgia Tsurkov como refém.

Segundo o The New York Times, os vários esforços das autoridades israelitas e norte-americanas para libertar Tsurkov ao longo dos últimos dois anos não tinham chegado a bom porto. Nas redes sociais, o primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani escreveu que a libertação ocorreu “no culminar de grandes esforços levados a cabo pelos serviços de segurança ao longo de vários meses”. Não foi, contudo, revelada qual a contrapartida que o grupo islamita recebeu (se é que recebeu alguma) pela libertação da refém. Sabe-se apenas que o governo iraquiano esteve envolvido nos esforços e coordenou os contactos com o grupo Kataib Hezbollah.

O porta-voz do primeiro-ministro iraquiano para os assuntos militares, Sabah al-Numan, revelou que, “na sequência de longos esforços de alto-nível de segurança e de recolha de informações, as autoridades conseguiram, a 9 de setembro, localizar e alcançar o lugar da sua detenção”. Depois, a jovem foi levada para a embaixada norte-americana “para facilitar a sua reunião com a irmã, uma cidadã dos EUA”.

Apesar de haver poucos detalhes concretos sobre as condições da libertação, uma fonte do grupo xiita disse à AFP que a jovem tinha sido libertada para evitar colocar o Iraque em situação de conflito. “Foi libertada de acordo com condições, sendo que a mais importante foi a de facilitar a retirada das forças dos EUA sem combate e poupar o Iraque a quaisquer conflitos ou combates”, disse a fonte, sublinhando que Tsurkov foi “libertada e não resgatada” e que “não foi levada a cabo qualquer operação militar para a libertar”.

Através do X, Emma Tsurkov, a irmã de Elizabeth, que ao longo dos últimos dois anos foi o rosto de uma campanha internacional pela libertação da estudante, comemorou o acontecimento. “A minha família está incrivelmente feliz. Estamos ansiosos por ver a Elizabeth e por lhe dar todo o amor que há 903 dias esperamos por partilhar”, escreveu Emma Tsurkov, numa mensagem em que salientou o agradecimento a Donald Trump e Adam Boehler, enviado especial dos EUA para a supervisão de casos de norte-americanos detidos no estrangeiro.

A pretexto da libertação de Elizabeth Tsurkov, Donald Trump exigiu ao Hamas que liberte os reféns israelitas na Faixa de Gaza. As autoridades israelitas também reagiram à libertação, com o Presidente israelita, Isaac Herzog, a comemorar o “fim do seu pesadelo e a sua libertação” como uma “notícia verdadeiramente maravilhosa” e com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a exigir a libertação de todos os outros reféns.

Netanyahu promete “resgatar” todos os reféns após libertação de estudante no Iraque