Quando estava a falar sobre armas, um tema ao qual dedicava muita atenção, Charlie Kirk, ativista conservador e pai de dois filhos, foi baleado no pescoço. A notícia do ataque foi divulgada rapidamente e começaram a ser publicadas reações de todo o mundo, a desejar as melhoras ao Republicano que era muito próximo de Donald Trump.

Horas depois, foi o próprio Presidente dos Estados Unidos da América a dar a notícia da morte de um aliado, através de uma publicação na Truth Social. O momento do homicídio foi captado por várias câmaras de telemóvel das mais de 3000 pessoas que assistiam à palestra organizada pela vítima mortal.

Apesar de a própria universidade que recebia o evento ter avançado com a detenção de um suspeito, as autoridades retrataram essa confirmação e disseram que esse homem intercetado pelas autoridades — e cuja cara foi divulgada por várias contas nas redes sociais — não era, afinal, o atirador.

Numa conferência de imprensa confusa com a presença das várias autoridades, surgiu a informação de que teria sido identificada uma outra pessoa, mas o FBI continua a pedir informação sobre potenciais suspeitos.

O que se sabe?

Quem era Charlie Kirk?

Charlie Kirk, de 31 anos, é o fundador da organização política Turning Point USA e um conhecido apoiante de Trump, com grande influência junto da camada mais jovem do movimento MAGA (“Make America Great Again”).

O próprio Trump chegou a dizer que Kirk tinha sido um apoio fundamental para conseguir mais votos para os Republicanos entre os eleitores mais jovens.

Onde e como foi baleado Kirk?

Rodeado de uma vasta multidão, na Utah Valley University, Charlie Kirk falava precisamente sobre armas quando foi baleado, pelas 12h20 locais (19h20 em Portugal).

Antes de ser baleado, um homem da multidão perguntou-lhe se sabia quantos tiroteios protagonizados por norte-americanos transexuais tinham acontecido nos últimos dez anos. “Demasiados”, respondeu Kirk. O homem fez nova pergunta, comparando com o número total de tiroteios: “Sabe quantos tiroteios aconteceram nos últimos dez anos nos EUA?”. “A contar com a violência entre gangues”, procurou perceber o orador. Mal acabou de falar, ouviu-se um único tiro que o atingiu no pescoço.

A reação de quem ouvia foi imediata, com muitos gritos e a multidão toda a baixar-se com medo de que os tiros se repetissem, o que não aconteceu.

Assim que foi atingido, Kirk esvaiu-se em sangue e caiu da cadeira onde estava sentado, abrigado por uma tenda de lona branca decorada com o nome da organização juvenil que fundou, a Turning Point USA, e com “The American Comeback”, o nome da digressão que estava a protagonizar e que tinha em Utah a primeira paragem.

A “American Comeback Tour” começou precisamente neste 10 de setembro e deveria prolongar-se, durante 15 sessões, até 29 de outubro, em vários estados norte-americanos. Os bilhetes eram gratuitos.

A tour consistia em visitar vários campus univesistários e aí iniciar as sessões intituladas “Prove me wrong” (Provem que estou errado, em português), na qual Kirk debatia com a assistência, como aconteceu no momento em que foi atingido.

Dada a natureza fraturante dos debates protagonizados por Kirk, o evento na Utah Valley University foi recebido com muita divisão: segundo a Associated Press, mil pessoas assinaram uma petição para impedir o Republicano de organizar a reunião. Em resposta, a universidade citou os direitos da Primeira Emenda, defendendo o seu “compromisso com a liberdade de expressão, investigação intelectual e diálogo construtivo”.

A morte foi imediata?

As primeiras imagens divulgadas demonstravam a gravidade da situação mesmo sem nenhum relatório oficial. Uma hora antes de Donald Trump confirmar o óbito do seu apoiante, a polícia dizia que Charlie Kirk estava “em estado crítico”.

Os vídeos, cuja veracidade foi confirmada pela Associated Press, ainda mostram o orador a levar a mão direita ao pescoço, no local onde foi baleado, antes de cair da cadeira.

O republicano foi transportado para o hospital, mas as equipas de emergência não conseguiram reverter a situação e a morte acabaria por ser declarada.

“O grande, até lendário, Charlie Kirk está morto. Ninguém percebia ou tinha o coração da juventude norte-americana melhor que o Charlie. Ele era amado e admirado por TODOS, especialmente por mim, e agora ele já não está connosco”, escreveu o Presidente dos EUA.

O que não se sabe

Quem é o atirador?

Assim que surgiram as primeiras informações sobre o disparo, ainda antes de se saber o desfecho fatal, a universidade avançou, em comunicado, que o principal suspeito tinha sido detido. A informação ganhou tração nas redes sociais, com vários utilizadores a partilharem imagens em que se via um idoso a ser controlado por populares e, depois, a ser transportado por polícias.

Pouco depois, no entanto, as autoridades voltaram atrás e disseram que ainda não tinham detido o atirador, mas apenas um suspeito que entretanto, segundo a imprensa norte-americana, não era o responsável. Mais tarde, numa conferência de imprensa confusa em que as várias autoridades presentes prestaram esclarecimentos contraditórios, o FBI informou que tinha sido detida uma “pessoa de interesse” e que estavam confiantes de que seria o atirador.

No entanto, apesar de acreditarem que esteve envolvida apenas uma pessoa, pediram às pessoas para denunciar qualquer suspeita numa linha de apoio especializada. Se Kash Patel, diretor do FBI, admitiu que o suspeito já tinha sido intercetado, Beau Mason, chefe da polícia local, disse que a pessoa em causa ainda estaria em fuga.

Pouco tempo volvido, Patel admitiu através de uma publicação no X que o detido não era o atirador: “O suspeito foi libertado depois de ter sido interrogado. A nossa investigação prossegue e vamos continuar a divulgar informação pelo interesse de transparência”.

Esta quinta-feira, o FBI já divulgou mais informações o principal suspeito. É jovem — está em “idade universitária” —, “carabina de alta potência” (Mauser 30-06 Caliber)  que “foi recuperada numa área arborizada para onde o atirador tinha fugido”.

Como aconteceu o homicídio?

Ainda com a investigação a decorrer, as autoridades acreditam que o disparo fatal ocorreu num telhado do campus, a menos de 190 metros da tenda onde estava a discursar Charlie Kirk.

Segundo a polícia de Utah, as autoridades suspeitam que o atirador estava vestido de preto, como indicam imagens de videovigilância da universidade.

Vários vídeos partilhados nas redes sociais mostram uma pessoa a correr nos telhados de um edifício, mas essas imagens não foram confirmadas pelas autoridades.

A polícia de Utah assume que estavam seis polícias a garantir a segurança do evento que contava com mais de 3000 participantes, diz a Reuters.

Quais as motivações?

Sem a identificação oficial do suspeito, as autoridades também ainda não conseguem garantir qual o motivo do tiroteio, mas não duvidam, por enquanto, que foi um ataque direcionado a Charlie Kirk.

O Governador do Utah foi mais taxativo na conclusão: “É um dia negro para o nosso estado e um dia trágico para a nossa nação. Quero ser bem claro, isto foi um assassínio político”.