Já se tornou uma tradição no futebol inglês: o Manchester United perde ao fim de semana e a segunda-feira serve para aglomerar tudo o que se disse sobre Ruben Amorim, desde o melhor ao pior, passando pelos que ainda defendem a continuidade do treinador português e os que acreditam que já não existem condições para o manter. Esta segunda-feira, naturalmente, não é exceção. 

O Manchester United perdeu em Old Trafford com o Brentford no passado sábado e somou a terceira derrota em sete jornadas da Premier League, sendo que só ganhou um jogo e que entretanto também foi eliminado da Taça da Liga pelo Grimsby Town da quarta divisão inglesa. Na primeira temporada que inicia em Inglaterra, depois de ter chegado ao clube em novembro do ano passado, Ruben Amorim continua a estar muito longe do sucesso — e há quem já tenha perdido toda a esperança.

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Uma das vozes que nas últimas horas teve algumas das palavras mais críticas em relação ao treinador português foi Wayne Rooney. “Não vejo nada que me dê confiança e acho que têm de existir grandes mudanças, na minha opinião. Treinador, jogadores, seja o que for. O que for necessário para recuperar o Manchester United. Os proprietários têm de dar uma mensagem clara, seja a família Glazer, o Jim Ratcliffe, alguém tem de deixar uma mensagem sobre o sítio para onde o clube está a ir. Porque neste momento estamos só à espera de que desabe”, começou por dizer no podcast “The Wayne Rooney Show” da BBC.

“A cultura do clube desapareceu. Vejo isso diariamente, funcionários a perderem o emprego, outros a deixarem esses empregos. Tenho dois filhos na formação e espero mesmo que isto não afete o que estão a fazer, porque o que estou a ver neste clube não é o Manchester United. Espero honestamente que o Ruben Amorim consiga dar a volta, mas se me perguntarem se acho que vai acontecer… Honestamente, depois de tudo aquilo que vi, não tenho fé”, acrescentou o antigo avançado inglês.

Mais à frente, Wayne Rooney deixou uma crítica global e generalizada à forma como o clube está a ser conduzido. “Não reconheço o clube como um todo. Não vejo os jogadores a lutar, não vejo personalidade, não vejo desejo de ganhar. Vou aos jogos à espera de que percam ou consigam fazer um ponto. E nem sequer são só os resultados em campo, tudo no clube precisa de ser resolvido. O Jim Ratcliffe e a INEOS entraram num verdadeiro desafio. Funcionários com 20, 30 anos de casa estão a ser despedidos e são pessoas muito importantes para o clube. A alma do clube desapareceu. Precisa de um novo motor, de uma nova forma de vida”, terminou.

Já Matt Le Tissier, antigo internacional inglês, tem uma opinião mais vincada sobre o futuro de Ruben Amorim. “Eu sou um grande adepto de dar aos treinadores tempo para dar a volta às coisas nos clubes. Não sei o que é que os adeptos do Manchester United pensam, mas certamente que já foi dado tempo suficiente a Ruben Amorim para arrumar aquela equipa. Ainda assim, parece haver muito poucos sinais de grandes melhorias”, começou por referir em entrevista ao Football Insider.

“Tenho de pensar que o tempo dele chegou ao fim. Acho que não vai demorar muito tempo até que a direção tome essa decisão. E provavelmente será a decisão mais acertada, por muito que não goste de ver treinadores serem despedidos. Isto já se arrasta há demasiado tempo. Não estou certo de que a paciência da direção possa durar durante muito mais tempo”, acrescentou.

Ainda assim e em declarações que também já se tornaram uma tradição, Ruben Amorim não tremeu depois do jogo contra o Brentford e voltou a garantir que sente que tem o apoio da estrutura. “Nunca estou preocupado com o meu trabalho, não sou esse tipo de pessoa. A decisão não é minha. Vou dar o meu melhor a cada minuto em que estiver aqui”, atirou o português logo na zona de entrevistas rápidas, sendo que a BBC garante que o Manchester United mantém a confiança no treinador e nem sequer tem a tão falada shortlist de opções para o substituir.

“Quando ganhamos não é o sistema, quando perdemos a culpa é do sistema. E eu percebo isso. Mas acho que tem mais a ver com o facto de jogarmos o jogo como o Brentford quer que joguemos o jogo. Nunca jogamos o nosso jogo, nunca forçamos o adversário a isso. Sofremos dois golos em transição que trabalhámos durante a semana, já sabíamos que podia acontecer. A frustração aparece daí, cada golo que sofremos é trabalhado durante a semana”, continuou.

“Podemos jogar melhor e precisamos de jogar melhor. São altos e baixos. Quando ganhamos, sentimos que tudo… Que o ‘momentum’ está aqui. Quando perdemos voltamos ao mesmo sítio e lutamos outra vez por aquela vitória que pode ajudar-nos a criar o ‘momentum’. Se ganhar estou num estado de espírito diferente. Isso é normal, mas estou sempre confiante porque sei o que fazer. Estou sempre a fazer o meu trabalho”, terminou Amorim, que no próximo fim de semana recebe o recém-promovido Sunderland.

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