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"Foco no fitness, carácter e força". Trump apresentou nova era para as forças armadas dos EUA, a quem vai dar um bilião de dólares em 2026

Este artigo tem mais de 1 ano

Donald Trump quer que "cidades perigosas", que diz terem governadores "radicais de esquerda, sirvam para treino militar. Apela a que se "bata" em manifestantes e elogia trabalho da ICE.

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▲"A partir de agora eles devem sair dos carros e fazer o que raio lhes apetecer", apelou Trump em relação à atuação dos agentes da ICE

POOL/AFP via Getty Images

▲"A partir de agora eles devem sair dos carros e fazer o que raio lhes apetecer", apelou Trump em relação à atuação dos agentes da ICE

POOL/AFP via Getty Images

Donald Trump discursou durante mais de uma hora e meia perante os “melhores dos melhores”, como lhes chamou. Repetiu até à exaustão que os critérios da entrada nas forças armadas dos EUA mudaram desde que retornou à Casa Branca e que vão continuar a mudar, insistindo que a cultura woke chegou ao fim.

Em frente a centenas de generais e almirantes norte-americanos de todo o mundo, que foram convocados na semana passada para uma reunião pouco usual com o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, no Museu do Corpo de Fuzileiros Navais em Quantico, na Virgínia — sem serem informados do motivo do encontro — o Presidente dos EUA repetiu até à exaustão as palavras “mérito” e “força”.

Assegura que é através delas que os militares vão garantir eficiência, ordem e paz. “Tudo é baseado no mérito, nós escolhemos as pessoas que fazem o melhor trabalho”, assegurou Trump, acrescentando que os EUA não vão ter militares ou forças policiais a “ocupar o lugar de outra pessoa com base em parâmetros políticos”.

“Vamos ser melhores do que aquilo que alguma vez fomos, estamos a trazer de volta o foco no fitness, no carácter e na força. As decisões tomadas no serviço militar não são tomadas para proteger os sentimentos de ninguém, mas para respeitar a nossa república, e é essa república que queremos proteger. Seremos uma máquina de vencer”, disse ainda perante as mais altas instâncias militares norte-americanas.

É com base neste nova mentalidade, que anunciou que se tinha comprometido a gastar mais de um bilião de dólares no exército em 2026. “Essa é a maior quantia gasta na história do nosso país. Senhora e senhores, espero que vocês gostem disso, porque é mesmo muito dinheiro”, anunciou, dirigindo-se aos que estavam presentes em Quantico.

Antes disso já Pete Hegseth tinha promovido os novos padrões do Departamento de Guerra dos EUA, segundo nome atual do Departamento de Defesa. O Secretário da Defesa criticou duramente os “líderes tóxicos”, a quem acusou de baixar os critérios para tornar o Departamento de Defesa o “departamento consciente”.

Hegseth disse aos líderes militares que está a implementar dez novas diretrizes envolvendo condicionamento físico, novos requisitos de higiene e um retorno ao “mais alto padrão masculino” para posições de combate.

Criticou duramente o que chamou de “tropas gordas” e acrescentou: “É completamente inaceitável ver generais e almirantes gordos nos corredores do Pentágono e a liderar comandos ao redor do mundo. É uma má imagem”.

Trump quer que “cidades perigosas” sirvam para treino militar e apela a “bater” em manifestantes

A insistir no mesmo ponto por longos minutos, Donald Trump falou sobre a segurança interna dos EUA e como tudo mudou desde que é Presidente. Mencionou que Washington D.C passou de uma das cidades mais inseguras no país, para uma cidade segura no período de um mês. “Tivemos tudo controlado no espaço de 12 dias”, afirmou, notando que há várias cidades “em grande forma” desde que voltou à Casa Branca.

Contrariamente, Trump falou das cidades que são governadas por “radicais de esquerda”. “Olhem o que fizeram a São Francisco, Nova Iorque, Los Angeles, são sítios muito pouco seguros e isso também é uma guerra, apesar de ser uma guerra interna”, garantiu.

Referiu depois, e com especial enfâse, o caso de Portland, em Oregon, que diz que parece uma “zona de guerra”, fazendo mesmo um paralelo com a II Guerra Mundial. “Recebo chamadas do governador a pedir ‘não venha, nós não precisamos de vocês’. Eu já lhe disse que eles não têm nada sob controlo”. Trump enviou recentemente 200 soldados da Guarda Nacional para esta cidade com o intuito de “controlar a invasão de imigrantes”.

Elogiou nesta sequência o trabalho da ICE (Immigration and Customs Enforcement, agência federal norte-americana para a imigração e fronteiras), que diz estar “a limpar a América”. E deixou parâmetros de atuação que devem ser tidos em conta por estes agentes a partir de agora.

“Há manifestantes a gritar próximos da cara dos agentes, ou a cuspir-lhes nas caras e eles não podem fazer nada”, relatou Trump, que incentiva: “Eles cospem, nós batemos.” Refere de seguida que os agentes da ICE conduzem carros “novos e lindos”, mas que são atingidos com pedras por manifestantes. “A partir de agora eles devem sair dos carros e fazer o que raio lhes apetecer“, apela o Presidente dos EUA.

Vai mais longe e revela mesmo que disse ao Secretário da Defesa, Pete Hegseth, que “deviam usar algumas dass cidades perigosas como campos de treino para as forças armadas”, referindo-se às zonas urbanas dos Estados Unidos.

Defende que se usem as forças armadas para manter os assuntos internos “em ordem” e menciona vários antigos Presidentes que terão feito o mesmo, incluindo George W. Bush.

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“Temos de ser tão fortes que nenhuma nação se atreva a desafiar-nos”, defende Trump

No discurso perante as altas patentes militares dos EUA, Trump insistiu ainda nas críticas à administração Biden, que considera ter governado o país de forma “incompetente”. De seguida, referiu que esperava maior contestação à decisão de alterar o nome do Departamento de Defesa para Departamento de Guerra. “É muito popular”, sublinhou, referindo que a mudança representa uma reafirmação história do “propósito, identidade e orgulho” norte-americanos.

Trump relembrou também a “boa ideia” que teve ao mudar o nome do Golfo do Médico para Golfo da América. “Se fossemos fracos, Putin não atenderia as minhas chamadas, temos muita força. Tivemos um filme de horror no Afeganistão. Acho que foi o dia mais embaraçoso na história do nosso país. E agora estamos de volta. Estamos a acordar de novo o nosso espírito guerreiro”, afirmou.

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▲ Militares assistem ao discurso de Trump na Virginia

AFP via Getty Images

Referindo exaustivamente o seu papel de mediador de conflitos, virou-se para o Médio Oriente e reiterou que o Hamas vai ter de concordar com o acordo em Gaza. “Senão, vai ser muito difícil para eles”, afirmou.

Assegurou ainda que os EUA estão “25 anos à frente da Rússia e da China em relação a submarinos”. “Fomos um pouco ameaçados pela Rússia recentemente, e eu enviei um submarino, um submarino nuclear, a arma mais letal já fabricada, é indetetável”, detalhou ainda.

E acrescentou: “Temos de ser tão fortes que nenhuma nação se atreva a desafiar-nos, e tão capazes que ninguém pense em derrotar-nos.”

Presidente dos EUA diz que será uma afronta se não for ele a receber o Nobel da Paz

Referindo o seu papel na resolução de conflitos em todo o mundo — e a destacar o Kosovo e o Azerbaijão –, Donald Trump criticou o facto de, mesmo perante a sua atuação, poder não lhe vir a ser entregue o Prémio Nobel da Paz.

“Vão dá-lo a alguém que não fez nada ou que escreveu um livro sobre a mente de Donald Trump e sobre os seus esforços para a paz”, afirmou em tom irónico, notando que o prémio não se baseia no “mérito”. Num aparte, diz que esta é uma das suas palavras preferidas.

E por falar em palavras preferidas, refere outra delas: “tarifa”. “Agora é a minha quinta palavra preferida, porque as pessoas criticaram ser a primeira”, diz, mas garantiu: “Somos ricos novamente e quando acabarmos isto seremos ainda mais.” Diz que os EUA estão a tratar os países estrangeiros  com justiça, mas que agora “o dinheiro chega como nunca chegou”.

Refere mesmo que foram encontrados “31 mil milhões de euros” de lucro adicional na Casa Branca, que a administração percebeu que “vieram das tarifas”. “Estamos ricos de novo”, insistiu.

Com muito dinheiro a entrar nos cofres norte-americanos, Trump garante as forças armadas dos Estados Unidos “serão totalmente inigualáveis ​​no futuro”. Terminou o seu longo discurso a elogiar os militares por defenderem a liberdade americana.

“Os militares norte-americanos avançaram para o fogo do inferno, escalaram montanhas escarpadas, atravessaram oceanos estrondosos e atravessaram desertos abertos para defender a nossa bandeira, a nossa liberdade e a nossa pátria. Ninguém faz isto como vocês”, disse.

“Somos as Forças Armadas dos Estados Unidos. As melhores, as mais ousadas, as mais corajosas que o mundo já viu”, disse, acrescentando: “Lutaremos, lutaremos, lutaremos e venceremos, venceremos, venceremos”.

E garantiu: “Agora toda a gente quer estar nas forças armadas, este é um novo grande mundo, mas o caminho para o progresso permitiu isto. Olhem a diferença que uma eleição presidencial pode fazer.”

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