O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, classificou esta quinta-feira como panfletária e irresponsável a participação de portugueses na flotilha humanitária rumo à Faixa de Gaza, sublinhando estar sempre “pelo lado da democracia e da liberdade”.

“Manifestamente, constato uma iniciativa panfletária, que considero irresponsável, em direção a um território ocupado por uma organização terrorista, responsável por um ataque que vitimou mais de 1.200 pessoas em Israel”, disse em declarações a jornalistas numa ação de campanha eleitoral autárquica no mercado municipal de Mondim de Basto, Vila Real, recolhidas pelo canal Now.

O presidente do CDS-PP afirmou que o movimento islamista Hamas “oprime minorias, sejam elas religiosas ou pessoas em função daquilo que é a sua orientação sexual”.

“É para apoio a uma organização assim, considerada terrorista pela União Europeia, que estas pessoas [três cidadãos portugueses, incluindo a coordenadora do BE, Mariana Mortágua] se mobilizam em direção a um território que está em guerra?”, lamentou Melo, referindo-se ao grupo terrorista responsável pelo ataque no sul de Israel, em outubro de 2023, que causou 1.200 mortos e fez 251 reféns.

O membro do executivo liderado pelo social-democrata Luís Montenegro confiou nas “autoridades que representam um estado democrático”, desejando que Israel “se comporte agora como isso mesmo, devolvendo os cidadãos portugueses e os outros aos seus países de origem e tratando-os com respeito pelos direitos que lhes cabem”.

A porta-voz do grupo italiano de ativistas participantes na ação humanitária “Global Sumud” (Resistência Global, em Árabe), Maria Elena Delia, declarou esta quinta-feira que 39 navios da flotilha intercetados pelas Forças de Defesa de Israel, (IDF, na sigla inglesa), seguindo ainda para a Faixa de Gaza alguns navios mais pequenos, que devem ter o mesmo destino.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano, as tripulações foram levadas para o porto de Ashdod e mantidas em centros de detenção específicos, onde poderão aceitar a expulsão voluntária imediata ou rejeitá-la e aguardar decisão judicial.

Entre os detidos encontram-se a deputada e líder bloquista, a atriz Sofia Aparício e o ativista Miguel Duarte.

Israel iniciou em 16 de setembro uma grande ofensiva terrestre contra a cidade de Gaza, justificando-a para eliminar o último ‘bastião’ do grupo extremista palestiniano.

A invasão militar levou à deslocação forçada para o sul da Faixa de Gaza de mais de um milhão de pessoas e resultou em dezenas de mortos diariamente naquela cidade, muitos deles civis, num conflito que já matou mais de 66 mil palestinianos, incluindo mulheres e crianças, de acordo com os números do Hamas.