O cabeça de lista da CDU à Câmara de Setúbal negou esta sexta-feira um “conluio” com o candidato socialista para prejudicar Maria das Dores Meira, considerando que a independente quer afastar atenções face às acusações de que é alvo.

A candidata independente Maria das Dores Meira, que concorre às eleições autárquicas de dia 12 com o apoio do PSD e do CDS-PP, responsabilizou o atual presidente do município, André Martins, e o candidato do PS, Fernando José, pelas acusações de que está a ser alvo, de alegada utilização abusiva dos cartões de crédito do município e recebimento indevido de ajudas de custo no último mandato que liderou a autarquia de Setúbal (2017-2021).

“Naturalmente que, em campanha, cada um procura, dentro das condições que tem, e se calhar o melhor que sabe, encontrar formas de retirar sobre si algumas atenções que resultam de facto de uma vida passada, que teve esses resultados. Mas, eu não quero pronunciar-me sobre isso”, disse André Martins, atual presidente da Câmara de Setúbal eleito pela CDU, coligação PCP/PEV.

“Podia ter usado e abusado, como se costuma dizer, desses factos, mas nunca o fiz e não o farei, porque eu acho que isso não é adequado. Em política nós temos de lutar com as ferramentas que temos”, disse à agência Lusa André Martins, durante um almoço com cerca de uma centena de reformados na freguesia de São Sebastião, no âmbito da campanha para autárquicas.

O autarca e candidato da CDU reagiu desta forma às acusações que lhe foram feitas pela candidata independente Maria das Dores Meira durante um comício realizado na quinta-feira, de uma alegada “perseguição política”, em “conluio” com o candidato socialista ao município sadino, Fernando José.

Para o candidato da CDU, também é importante sublinhar que Maria das Dores Meira “é uma candidata do PSD e do CDS e é assim que tem de se assumir perante a população”, porque senão está “a viciar os dados”.

“É uma questão que é necessário, do meu ponto de vista, ficar bem clara. Ninguém pode ser enganado quando alguém se apresenta às eleições”, sublinhou.

Questionado sobre as expectativas da CDU para as eleições de dia 12, André Martins não quis antecipar qualquer cenário, mas assegurou que a CDU está tranquila face ao trabalho realizado, particularmente na área da habitação, um dos maiores problemas do concelho de Setúbal e do país.

“O resultado depende, naturalmente, do voto popular, mas temos muita confiança na nossa candidatura. Nestes quatro anos temos o maior investimento de Setúbal: cerca de 200 milhões de euros. E 130 milhões são candidaturas dedicadas à qualidade da habitação, obras que estão a decorrer”, disse.

Ainda segundo André Martins, o atual executivo camarário está a requalificar 1.600 fogos e tem prevista a construção de mais 1.000 novas habitações, objetivo que deverá estar concluído lá para o final de 2026. Está ainda prevista a construção de outros 1.000 fogos prometidos pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) em terrenos que estão na posse daquele instituto público.

Nas eleições autárquicas de 12 de outubro, além de André Martins, candidato da CDU e atual presidente da Câmara de Setúbal, candidatam-se Maria das Dores Meira, independente apoiada pelo PSD e pelo CDS-PP, Fernando José (PS), António Cachaço (Chega), Daniela Rodrigues (BE), Flávio Lança (IL), André Dias (Livre), Cláudio Fonseca (ADN) e Mariana Crespo (PAN).

A CDU, que obteve 34,4% dos votos nas eleições autárquicas de 2021, governa a Câmara de Setúbal com uma maioria relativa, dado que tem apenas cinco eleitos. O PS (27,67%) tem quatro eleitos e o PSD (16,57%) apenas dois.